sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

2012

"Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.

Olha para trás, para toda a jornada,os cumes, as montanhas,o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.

Mas não há outra maneira.

O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.

E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de DESAPARECER no oceano, mas TORNAR-SE OCEANO.

Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.

Assim somos nós. Só podemos ir em frente e arriscar. Coragem !! Avance firme e torne-se Oceano!!!"

(Osho)



Num plantão estive conversando com meu colega e amigo Tonhão e finalmente pude explicar para ele como pude sentir e compreender a citação acima de Osho. E como tirei minhas conclusões sobre morte/ morrer...

Quando minha mãe agonizava em meus braços, eu ainda não havia lido esse texto acima. Li outros de Deepak Chopra algo semelhantes, mas não podia visualizar e compreender.

Então, enquanto minha mãe morria em meus braços, eu a abraçava forte como que pra segurar seu corpo e sua alma, mas a sensação real que tive foi que ela deslizava por meus braços numa forte turbulência, seu corpo estava inerte, mas eu sentia o tremor escorregando enquanto eu tentava segurar. Ela estava em meus braços... mas parecia que algo deslizava com força.
Foi quando eu disse: "Pai, a mãe está morrendo!!!"
E o resto de sua passagem, já comentei em post anterior...
Então pude entender que o rio corre com medo pelas pedras e demais obstáculos e só quando chega no oceano, ele perde o medo e percebe que não deixou de ser rio, apenas se tornou oceano! Mas minha mãe não teve medo. Foi muito corajosa.
Como no universo, quando explode uma estrela, ela não deixa de existir, continuamos enxergando sua luz daqui da Terra muitos anos depois que ela "deixou de existir". Mas ela não deixou de existir! Tornou-se uma parte consciente do Universo, 'poeira' e luz. Ela expandiu. O Rio expandiu, tornou-se oceano. No caso de minha mãe, sua consciência expandiu e ela tornou-se parte VIVA de tudo, luz... Seu corpo foi devolvido a terra e se misturou aos 4 elementos, o resto é espírito, sopro divino.... é eterno!

“A morte tem de ser recebida como uma convidada de honra.
Ela não é uma inimiga.
Ela só parece inimiga porque nos apegamos demais à vida! 
É por causa desse apego que mal conseguimos falar sobre a morte.
O dia em que as pessoas tiverem mais consciência do que seja a morte, elas viverão muito melhor. Aproveitarão a vida sem nunca se esquecer de que ela não durará para sempre.
Passarão a viver de maneira bela e também morrerão de maneira mais bela”. (Osho)


"Tocando a terra, abandono a idéia de que sou esse corpo e de que meu tempo de vida é limitado. Compreendo que este corpo, constituído de quatro elementos, de fato não me representa e nem me limita. Faço parte de uma corrente de vida de ancestrais espirituais e antepassados de sangue que, por milhares de anos, vem fluindo no presente e assim continuará por milhares de anos no futuro. Sou um só com meus ancestrais, com todos os povos e todas as espécies, sejam pacíficos e destemidos, sejam sofredores e amedrontados. Neste exato momento, estou em toda parte deste planeta. Estou presente também no passado e no futuro. A desintegração deste corpo não me altera, do mesmo modo que, quando as flores da ameixeira caem, isso não significa o fim dessa árvore. Vejo-me como uma onda na superfície do oceano, minha natureza é a água do oceano. Estou em todas as outras ondas, e todas as outras ondas estão em mim. O aparecimento e desaparecimento da forma da onda não afetam o oceano. Meu corpo do dharma e a sabedoria da vida não estão sujeitos ao nascimento e à morte. Vejo-me presente antes mesmo da manifestação do meu corpo físico e depois da sua desintegração. Mesmo nesse momento, vejo como também existo em outro lugar que não é este corpo. Setenta ou oitenta anos não é o meu tempo de vida. Meu período de vida, como o de uma folha ou de um Buda, não tem limite. Eu já ultrapassei a idéia de que sou um corpo separado no espaço e no tempo das demais formas de vida".
Thich Nhat Hanh, Ensinamentos sobre o Amor



E é por isso que não sofri o falecimento de minha mãe mais que o necessário...
Sinto sua falta, Mãe! Agora que vai fazer um ano que não a abraço. Quando estudo ou faço tarefas com meus filhos, lembro de você fazendo comigo. Então esses dias estou um pouco sensível. Ainda mais que as crianças estão de férias longe na casa da outra avó! 
Mas fico feliz em saber que você VIVE, de uma forma diferente, que eu não conheço, mas já faço alguma idéia vaga de como seja...(jul/2012)

TE AMO, MÃE!

sábado, 30 de julho de 2011

A Morte/Vida de minha Mãe

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
 - Você acredita na vida após o nascimento?
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde. 
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida? 
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca. 
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída - o cordão umbilical é muito curto. 
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui. 
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão. 
- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós. 
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está? 
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria. 
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
 - Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela... (Recebido sem o nome do autor)


Dona Ondina teve uma infância que ela relatava com tristeza. Os fatos mais marcantes foram a morte de seu pai quando ela tinha 6 anos de idade e o bullying que ela teria sofrido durante os anos escolares, embora na época nem se sabia o que era bullying. Foi pobre, cheia de irmãos, sua mãe era severa...
Casou-se com meu pai, depois de muitos anos e várias tentativas de engravidar e várias perdas de bebês, veio minha irmã e 5 anos depois, eu. Meu primo Nicolas ('Nico véio') disse que ela foi ótima mãe, neurótica até (sic). E foi uma mãe neurótica mesmo. Teve muitas falhas. Era egocêntrica, depressiva, tinha fobia social, mania de que todos a observavam e falavam mal dela, inclusive nós, a família. Quando ajudava algum de nós, queria elogios e agradecimentos eternos, daí insatisfeita, vinham cobranças...
Mas era amorosa, boa ouvinte e boa conselheira, preocupava-se conosco e com meu pai. Ela e meu pai sempre se consideraram parentes, ao contrário de muitos casais. Aprendi com minha mãe que marido é parente. (Depois fui obrigada a aprender com meus filhos que ex-marido também é).
Então essas 'coisas de Dona Ondina' geravam sentimentos contraditórios, às vezes ficava com raiva dela. Mas a amava.
Então vieram os netinhos e ela me disse que os amava mais que a mim. E eu acredito e ficava feliz por ela e por eles.
A volta ao lar foi conturbada, às vezes nos dávamos bem, às vezes mal, mas eu sabia que as crianças a faziam muito feliz. Ela contava as gracinhas deles para todos. E eu contava as coisas que ela não presenciava e ela ria até das mais bobinhas, que eu não contaria a outras pessoas, mas sabia que ela acharia graça!
As mágoas, raivas e tristezas, além do fumo, dos maus hábitos alimentares e de sono foram minando a saúde de Dona Ondina. e aos 72 anos internamos ela no hospital em que trabalho. Todos a trataram muito bem. Melhor do que eu esperava. A princípio porque ela era minha mãe, a mãe da enfermeira do nono andar. Depois pelo seu jeito educado, por ser uma velhinha vaidosa e simpática e por suas manias e 'aprontações' que davam um desconto por ser minha mãe e talvez por acharem graça na velhinha que fumava 'escondido' no banheiro e tacava desodorante achando que ninguém notaria o cheiro do cigarro.
Mas uma parada cárdio respiratória durante uma um exame de ressonância magnética não estava no script. E além do susto que deu na família, a deixou com coração e pulmões mais debilitados do que já estavam. O caso dela era cirúrgico, mas, tratada uma infecção, os médicos, ela e a família acharam por bem que ela se restabelecesse em casa e fizesse exames pré operatórios. No fundo nós não achávamos que ela sobreviveria ao cateterismo e à cirurgia. Acho que ela também pensava assim...
Ela voltou pra casa e tinha saudades dos netos que estavam de férias na casa da outra avó. Mas passou três dias contente, mudando hábitos, fazendo planos de se cuidar melhor. No fundo eu achava um pouco tarde pra ela começar a se cuidar. Mas dizem que nunca é tarde, enfim... Tirando a saudade das crianças, acho que ela estava feliz na medida do possível.
Até que meu pai me acordou dizendo que ela estava em broncoespasmo. Fui ao quarto, ela fazia inalação. Então eu dei alenia para ela aspirar e mudei o remédio da inalação. Ainda passando mal ela foi ao banheiro, evacuou e, quando sentou novamente na cama para fazer inalação, em seguida tombou pra frente, enquanto eu, a empregada e meu pai a levantávamos pedi à babá que chamasse o SAMU e a acomodei em meus braços com a inalação. A babá não conseguiu responder a todas as intermináveis perguntas que fazem e me passou o telefone. Quando tentaram me orientar os procedimentos falei que era enfermeira e dei uns gritos, pois minha mãe agonizava em meus braços enquanto ficavam 'de papo' comigo ao telefone. E ela parou de respirar e em poucos segundos não sentia seu pulso. Devido ao desespero de meu pai, a coloquei no chão e comecei massagem cardíaca e respiração boca a boca. Mas pela quantidade de secreção que ela soltava, vi que seus pulmões estavam encharcados e que eu não podia fazer mais nada... Até que chegou a viatura do SAMU com uma técnica de enfermagem com o ambu nas mãos, falando 'Vamos ressuscitar'. Falei: filha, o que você vai fazer eu já estou fazendo há 20 minutos. Agora chega, você não vai conseguir nada e se por ventura conseguisse, ela ficaria sequelada, coisa que ela não quer. Por eu me identificar como enfermeira, ela aceitou. Quem não gostou muito foram os PMs e o delegado ao chegarem no momento em que eu e a empregada recolhíamos do chão o corpo de minha mãe e começávamos a limpá-la, pois ela havia se evacuado. Mas um médico amigo de muitos anos de minha irmã, que também acompanhava o caso de minha mãe veio e atestou o óbito.
Enquanto minha irmã e seu amigo foram correr atrás do funeral e do enterro, meu primo ficou fazendo companhia ao meu pai e a empregada me ajudava a preparar o corpo de minha mãe. Então, ela me deixou a sós enquanto eu maquiava minha mãe e penteava seus cabelos e conversava com ela. Eu não lembro o que lhe dizia...
Então eu tomei banho e me sentei na cama junto ao corpo e fiquei lá fumando, conversando e olhando pela janela, fazia um dia bonito. Minha tia, irmã de minha mãe e outra prima juntaram-se a nós. E lá ficamos até que o carro da funerária chegou. Pedi a ele que chamasse uma equipe que drenasse os líquidos corporais afim de que ela não ficasse eliminando odores durante o velório. E por 700 reais, além de drenar os fluídos, essa equipe desfez a maquiagem que eu havia feito que a deixou com um semblante sereno, parecendo até que sorria e a deixaram feia, com gel nos cabelos, com os lábios apertados, parecendo outra pessoa...
Liguei para meus filhos e disse aos dois mais velhos que sonhei com uma fada que me disse que o corpo da Didi estava cansado e muito danificado e que ela iria levá-la ao País do Verão. Disse que pela manhã a Didi passou mal e que deitou em meus braços e me mandou dizer que eles foram as pessoas que ela mais amou nessa vida, e que mandou um beijo para cada um deles. E que então apareceram dezenas de fadas no quarto e que pegaram a alma da Didi pelas mãos e a levaram deixando apenas o corpo. E que no País do Verão a Didi plantaria flores e tomaria banho de mar. Então a Mel me perguntou se a noite a Didi viraria estrela e respondi que sim. Pedi ao pai das crianças que os trouxesse ao velório e para o enterro da avó deles.
No velório pessoas iam e vinham, amigos e parentes. Vinham, ficavam um pouco e iam. Veio minha ex sogra e o pai de meus filhos com as crianças. O Dudu e a Mel choraram um pouco ao me verem chorando e eu nunca escondi meus sentimentos de meus filhos. Eles ficaram tristes, principalmente o Eduardo, que é o maior e era o queridão da vovó. O Nico não entendeu nada, nem o levantei para que visse o corpo de sua avó no caixão. Não vi necessidade. Depois me arrependi disso.
Então meus filhos foram dormir na casa da minha tia paterna. Ficamos lá, eu queria passar a noite. Sabia que aquilo era apenas o corpo sem vida de minha mãe, mas tinha a sensação de que indo embora deixaria a minha mãe só naquele lugar horrível, escuro e frio! Mas fui com meu pai, com medo de deixá-lo só e ele passar mal. Temos que cuidar dos vivos, eu pensei, mas não dormi a noite toda pensando em minha mãe sozinha...
Ela era católica. Já foi praticante, mas se desiludiu não sei por que. Acho que foi sua depressão que a deixou descrente. Minha irmã fazia questão que um padre ou um pastor fizesse um ritual de despedida. Então para o enterro foram meus padrinhos, três primos, três vizinhos, uma moça que trabalhou anos em casa, um pessoal do hospital, além de mim, minha irmã, uns amigos dela, meu pai e meus filhos. A irmã de minha mãe passou mal e outros parentes não quiseram ver a Tia Ondina ser enterrada. Minha mãe não tinha vida social, vivia quase enclausurada, então era de se esperar que não viria muita gente. Mas quem veio, veio por afeto por ela e pela família. Então pedi ao meu amigo Lori, pastor evangélico que fizesse uma breve despedida cristã e ele gentilmente fez. Então vi a terra cobrindo o caixão de minha mãe e falei com a Deusa em pensamento: "Devolvo à terra o corpo de minha mãe com tristeza e gratidão e espero que A GRANDE MÃE embale a minha mãe por quem eu tive tantos sentimentos contraditórios, mas a quem eu sempre amei".


Deepak Chopra disse que seria mais fácil se pensássemos que não é a alma que deixa o corpo, mas sim o corpo que deixa a alma. Eu compreendo o que ele quer dizer, mas não consigo pensar assim ainda.
Eu sou espiritualista, acredito que a minha mãe foi para uma nova vida, mas a saudade é grande. Meu pai às vezes chora, minha irmã também. Jogamos no lixo as más lembranças e guardamos as boas. Me vêm à lembrança coisas engraçadas que meus filhos falaram durante o velório e no trajeto do enterro e eu queria contar para minha mãe, então a procuro e não a encontro. E a todo o momento me vêm à cabeça a lembrança do momento de agonia de minha mãe, que foi breve, ainda bem, mas foi sofrido.
Não tomei banho ontem e hoje levantei sem vontade de nada, mesmo com a presença de minha irmã aqui e os planos de meu pai de reformar a casa que há anos pede manutenção. Tenho papéis e contas empilhados e espalhados por toda a casa e brinquedos que devem ser doados, mas não quero fazer nada.
Eu sou forte e como minha mãe dizia: "Não há dor que dure para sempre", mas ela mal se foi e já deixou aquela saudade doída por saber que provavelmente o tempo que levaremos para nos encontrar será grande...


DIDI E NICO

quinta-feira, 19 de maio de 2011

SEPARAÇÃO




Ahhhhh, não sei se é um tema que eu sou a melhor pessoa pra conversar!
Quando criei este blog, fiz um breve resumo de minha vida, citei a separação, mas a intenção era discorrer sobre espiritualidade e auto-cura. Mas pessoas amigas que têm passado pelo difícil momento da separação, ao lerem trechos do blog, ao verem minhas fotos tão alegre, sorridente e maquiada, sabendo que eu também passei por isso buscam ajuda, consolo, conselhos, querem saber se a dor passa, se os filhos superam...
E resolvi falar um pouco disso, mas da minha experiência. E cada um é um...
Estava formada, concluindo a pós graduação, em dois empregos. Eu o vi, me apaixonei, casei. Eu o amei...
Não posso falar por ele, mas acredito que ele se apaixonou, mas não me amou. E paixão acaba. Imagino que foi o que aconteceu. 


Quem conhece a minha história e gosta de mim vai dizer que fui a vítima da história, que sofri assédio, fui agredida, desmoralizada, sofri calote, que tive parte da família dele contra mim, além das mães de santo dele. É verdade. Mas eu fui uma grande duma chantagista, criei atritos que poderia ter evitado, cobrei demais e tb o agredi de várias formas, além de me auto-flagelar. Então empatamos.


Demorou um pouco pra reconhecer isso. Quando o mandei embora, no dia seguinte acordei e, sem abrir os olhos senti que havia levado uma surra, que havia arrancado um pedaço de mim. Fiquei só com meus 3 filhos pequenos, na época o caçula tinha 4 meses, a do meio 3 e o mais velho 5. Fraquejei, teve momentos em que pensei em entregar a guarda deles para a avó paterna e dar cabo de minha vida, pois o que eu faria? Mas por mais que minha moral e minha auto-estima estivessem lá embaixo pensei: "Quem vai amar Mel e Nico como eu?" O Dudu é o que se dá melhor com o pai, é o predileto das duas avós. Mas a Mel tem um gênio difícil, não raro eu perco a paciência com ela, mas dentre os adultos da família, eu sou a ÚNICA que a pega no colo, beija sua boquinha e suas bochechas e ela diz: "Te amo!" É carinhosa comigo, e com os irmãos, com as outras pessoas... ela convive de forma amigável (nem sempre) e impessoal. E embora ela me tire do sério, eu compreendo e aceito o jeito dela ser. E o Nico, 'meudeusu', o Nico??? Meu dedinho mindinho!!! Então, embora o Dudu seja meu amado, meu amigo, meu companheiro, lhe sobraria amor, mas não pros outros dois. Então foi vindo ajuda de cá e de lá, como já falei em postagens anteriores e diante dos problemas, quando meus filhos arregalavam os olhinhos para mim eu respondia e ainda respondo: "Mamãe vai dar um jeito." E isso os tranquiliza.


Quando se sai ferido de um relacionamento é difícil encarar as próprias falhas, mas ao longo desses dois anos e meio eu fui saindo da posição de vítima e fui enxergando minhas cagadas.
Escutando o programa da psicóloga Cristina Cairo na rádio mundial, comecei a levar tapas na cara dela, pois ela me abriu muito os olhos, depois vieram seus livros e alguns mestres que encontrei pelo percurso, comecei a praticar meditação, me dedicar à wicca, reler a biografia de Gandhi, estudar pensamentos budistas e fui caindo na real e entendendo que TUDO É COMO DEVE SER. É difícil assimilar isso. Não vem de uma hora para outra. É preciso muita reflexão.
SEMELHANTE ATRAI SEMELHANTE. Eu e o pai das crianças nos conhecemos aos vinte e poucos anos, estávamos formados, trabalhando, independentes financeiramente de pai e mãe (ele nem tanto), eu queria casar e ter filhos, os amigos dele mais próximos estavam todos casando. Éramos sexualmente bonitos e atraentes, foi toda uma situação, ou um conjunto de semelhanças que nos atraiu. Casamos, erramos separamos, mas além dos lindos filhos que tivemos tudo o que aconteceu serviu pra me amadurecer, pra me fortalecer como pessoa, como mãe, como mulher. Evoluir. Espero que o mesmo tenha acontecido com ele. 
Uma vez disse a um amigo recém separado: "É como num trem. Há pessoas que sentarão ao nosso lado, mas descerão em algum ponto. Irão embora. Há pessoas que irão até o ponto final conosco. É assim. Tem pessoas que estão só de passagem em nossas vidas."

E ele me perguntou: "E como saber que estão só de passagem?" Respondi que não tem como. Hoje eu responderia que na minha concepção TODOS estão de passagem. Pai, filhos, amigos, irmãos, cônjuges... Porque no final das contas, morremos sozinhos. Quando muito com algum colega de viajem segurando nossas mãos. Quando muito...
Com essas palavras não quero desanimar ninguém que sonhe com um amor de verdade, duradouro. Eu, embora não queira nunca mais me casar, sonho com um companheiro amado e fiel, que me ame também. Mas ele na casa dele, eu na minha. Conheço poucas, mas lindas histórias de amor, então, ainda sou um pouco romântica. Tampouco quero desanimar ninguém de tentar reatar uma relação. TUDO É POSSÍVEL.
Se perdoei o pai das crianças? Sim, do fundo do meu coração e espero que um dia ele me perdoe também. Mas o perdoei em relação a nós. Ainda não perdoei fatos em relação às crianças. Mas no final das contas estou quase acreditando que ele não fez (e ainda faz) por mal, acho que quando ele erra talvez nem perceba, ou talvez ele pense que esteja agindo da forma certa com eles. Ele é pai. Eu também cometo meus erros com meus filhos tentando acertar... Mas pelo menos eu o incluo na vida das crianças quase que como uma guarda compartilhada... Bom, mas deixando os filhos um pouquinho de lado, estava falando sobre sentimentos. 
Se ainda amo o pai de meus filhos? AMO FRATERNALMENTE. Para mim o fato de as crianças serem NOSSA carne, NOSSO sangue, NOSSOS genes nos torna parentes. E ponto. É como eu sinto. 
O que ele sente por mim? NÃO ME IMPORTA!


O que causa sofrimento são as EXPECTATIVAS que construímos em cima da relação, e a vontade de querer que o outro MUDE a todo o custo para se adequar aquele a quem NÓS IDEALIZAMOS. E ninguém muda porque a gente quer. A pessoa muda SE ELA QUISER, senão não muda. E ficar insistindo nisso é AGRESSÃO. Eu não me adequei aos sonhos do pai de meus filhos nem ele aos meus. Nos ferimos, nos agredimos.


Depois entrei numa relação complicada com um sujeito que aparentemente não tinha nada a ver comigo: tinha um terço dos meus estudos, ganhava metade da metade do meu salário, não tinha a mesma educação que eu, nem os mesmos valores e o pior, era aparentemente envolvido com pessoas não muito corretas...


Ah Grega, mas você falou que SEMELHANTE ATRAI SEMELHANTE! Cadê a semelhança aí?


Bom, nos conhecemos numa festa de casamento (ele trabalhava na festa). E pra quem é separado, casamentos não são ambientes muito agradáveis, trazem lembranças meio dolorosas... Ambos éramos separados. Ambos queríamos loucas aventuras e muito, mas muuuuuuiiiiitttto SEXO. 

Sim, SEMELHANTE ATRAI SEMELHANTE. Rola química, é natural. Foi uma relação meio tumultuada que acabou.

Perguntaram me se a dor da separação passa e quanto tempo leva pra passar.
Dói. Ah, como dói!
Mas vou dar umas dicas que serviram para mim. PARA MIM. Espero que possam servir para quem está passando por isso:
Depois de 3 filhos seguidos fiquei muito gorda. Emagreci foi de tristeza mesmo. Mas foi bom.
Comprei roupas, sapatos e lingeries novas, que as minhas estavam em petição de miséria. Ah, bijuterias e maquiagens também.
Não deixei o pai das crianças me ver chorando. Eles não precisam saber disso. Quer chorar, CHORE! Mas ele (a) não precisa saber. Aliás, um sábio amigo me dizia pra chorar debaixo do chuveiro. Funciona, viu? Tem horas que só a preguiça de ir até o banheiro, tirar a roupa já tiram a vontade de chorar.

(No dia de assinar os papéis da separação enquanto ele estava com olheiras, notavelmente nervoso, com uma advogadazinha mal arrumada e mal humorada, além de despreparada, tadinha, eu estava de salto, pós salão de beleza, simpática e sorridente, com um ótimo advogado e de ótima aparência que era meu primo).
Pelo menos a cada quinze dias vou ao salão de beleza fazer cabelos, unhas e massagem. No resto do mês eu mesma faço em casa.
Fui fazer dança do ventre. Sonho antigo. Tive que largar (temporariamente) por questões financeiras, mas faço caminhadas todos os dias.
Troquei o café pelo descafeínado, e agora como pão, macarrão e arroz integrais, além de verduras e frutas. E estou com dificuldade tentando parar de fumar.
Mas resumindo, comecei a cuidar de mim, me amar, pois durante 7 anos fui um rascunho de mim mesma e uma sombra do ex marido. E ninguém vai amar quem não tem amor próprio.
Saí com amigas pra desabafar. Se vc não é de muitos amigos, busque apoio da família, meus filhos, mesmo que pequenos me deram muita força, além de meus pais, claro! Se não for o suficiente, busque um psicólogo. As pessoas não dão valor a esses profissionais, mas eles são ótimos e necessários.
E também guarde momentos de solidão, para meditar, ou refletir, ou ouvir suas músicas prediletas.
Sorria para as pessoas na rua e cumprimente-as, elas retribuirão com simpatia, haverá uma boa troca. E, se alguém não retribuir, deseje que o seu dia seja bom assim mesmo.
Há algumas dicas que aprendi com especialistas em medicina oriental como incluir na dieta pão de centeio, feijão e leite, pisar na terra descalço, sentar com postura ereta e sem inclinar a cabeça olhar para cima por alguns minutos, passar alguns minutos em ambientes em que haja a cor amarela, podem ser árvores, jardins, ou um local de parede amarela, abraçar uma criança com menos de dois anos frequentemente, acariciar com frequencia um animal de estimação... Parece tudo besteira, mas são dicas de profissionais e coisas que vem de uma ciência milenar, muito mais antiga que a nossa medicina ocidental.
E o principal: livre-se da CULPA. Todos nós erramos, às vezes por querer e nos arrependemos, às vezes sem querer, peça perdão, mesmo que apenas em orações e pensamentos e LIVRE-SE DA CULPA.

Como eu estou hoje?
Mais preocupada com questões financeiras e criação dos filhos do que com relacionamentos. Quando posso encontro antigos amigos, até ex namorados, tenho conhecido pessoas interessantes, mas estou sem pressa e tranquila em relação a isso. Não estou carente. Quero amigos e um amor por perto, mas a minha companhia me satisfaz. Estar só não me incomoda ou entristece, pelo contrário. Eu me amo, me adoro!

Espero de todo o coração que quem está sofrendo hoje se recupere rapidamente, se ame, se cuide, sorria, ria mesmo estando triste, assista comédias. Vai ficar tudo bem.
As três mulheres dessa foto (eu sou a do meio) somos separadas, passamos por toda a dor. Parecemos tristes? Não. Estamos muito bem, felizes e vivendo cada dia como deve ser vivido. TUDO É COMO DEVE SER.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Vivendo o que tenho dito...

Dei uma pausa. Um dos motivos é que meu pc não está colaborando e em breve, espero que não tão breve, terei que comprar um CPU. Mas o principal motivo foi que eu precisava viver umas coisas que aprendi em livros e com mestres. Todos somos mestres e aprendizes.


Deepak Chopra e Cristina Cairo de uma forma ou de outra afirmam que os momentos de incerteza são um campo fértil de possibilidades. 

Não havia conseguido correlacionar isso com meu passado. Mas pude aprender com o futuro, que agora tem sido o meu presente. A babá, depois de dois anos morando comigo resolveu bater assas e buscar novos horizontes, os plantões extras que garantiam meu sustento se acabaram. As relações com alguns familiares não são boas. Não permiti que tudo isso acabasse de vez com meu sono e minha saúde. Me recolhi. Fiz uma viagem pra Bahia com os filhos e literalmente esqueci de tudo o que poderia me preocupar, magoar ou aborrecer.
A babá, surgiu outra. Tem sido boa para mim e meus filhos e sinto que vai precisar muito de mim, pois cursou até o antigo primeiro ano primário e quer muito estudar. Comprei um material didático que serve tanto para ela quanto para meus filhos. E já que já faço lição com 2, vou fazer com 3, oras! Um problema está sendo resolvido.
Agora restam as extras, que me garantiam quase o dobro do salário e se extinguiram...
Isso sim tem me abalado o emocional e o físico. Mas não posso parar, já que comprei materiais didáticos para a babá e as crianças, comprei um de atualização em enfermagem clínica, que depois que eu fizer bom uso, vou doar a algum colega que precise. Também comprei um curso basico de grego, já que tenho aprendido sozinha, em sites e com pouca colaboração de meu pai. Sei que aos poucos ele vai me ajudar. Canto em grego, leio algumas palavras, leio outras, mas não falo. Quero aprender o idioma nativo de meu pai. Encomendei um curso de inglês para as crianças (e para a babá). Ninguém surge na vida da gente por acaso. A babá anterior, muito boa, me ensinou a relevar, a ter mais paciência e a ser mais positiva, me queixar menos. E compartilhei muitas coisas com ela que aprendi. Somos muito gratas uma a outra. E hoje, quando conversei esses assuntos com ela, ela me disse: "Que bom, vc precisa dessa babá e vc vai fazer muito por ela também". QUE ASSIM SEJA E ASSIM SE FAÇA! POIS UM DOS MAIORES SEGREDOS DA FELICIDADE É SE DOAR, SERVIR.

Então na Bahia, pude passar uma semana meditando, olhando o mar e o movimento das árvores ao vento e como elas, apenas SER. 
  
E então, apesar de novamente me deparar com o estresse cotidiano, e ter meu humor um tanto alterado, pude encontrar meus caminhos. Achei a boa babá, estou resovendo os problemas que a incomodam e já que estou com tempo livre, estou buscando cursos para meu desenvolvimento pessoal e profissional, pelo menos.

Eu e o pai de meus filhos vivemos momentos muito tensos, de brigas, mágoas, mas parece que tudo tem se encaminhado, estamos tendo uma relação melhor e ele está a par da minha piora financeira, que será passageira.

Fechei-me um pouco para amizades e vida afetiva. Os que vieram depois dele não foram boas experiências. Estávamos num momento em que precisavamos de alguém que suprisse nossas necessidades. Então me recolhi para suprir as minhas próprias, pois ninguém pode fazer isso por nós.
RELACIONAMENTOS SÃO OPORTUNIDADES ESPIRITUAIS E NÃO UMA TROCA DE NECESSIDADES.

Estou me sentindo pronta agora, para encarar algo de maneira madura. Me preparei para isso.

Bom, vim mesmo para dar sinal de vida. Mas assim que possível voltarei para falar sobre PERDÃO, TRISTEZA DEPRESSÃO. ME AGUARDEM E FIQUEM NA PAZ.
Enquanto isso recomendo a leitura de AS SETE LEIS ESPIRITUAIS DO SUCESSO, DE DEEPAK CHOPRA, disponível para download, ou que aluguem o filme documentário com o mesmo título. 



Apenas SER...


Para quem busca algo mais:


http://pt.scribd.com/doc/8371595/Sete-Segredos-para-a-Vida





sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Como Conhecer Deus

Tive que reeditar essa postagem que já estava inacabada porque o primeiro vídeo que postei foi excluído por uma questão de direitos autorais. Uma pena, porque o que é bom deve ser espalhado, claro que sempre respeitando-se os créditos do autor, mas enfim, posto este link com um vídeo mais simplificado e ao final do post um texto que adaptei de acordo com minhas crenças religiosas.
Como o vídeo que postei anteriormente foi excluído do youtube, recomendo a leitura do livro Como Conhecer Deus e A Cura Quântica, ambos de Deepak Chopra. Este último estou lendo agora. (http://pt.scribd.com/doc/31584914/Deepak-Chopra-A-Cura-Quantica)
Deepak Chopra é um médico indiano que fala sobre programação neurolínguística, lei da afinidade, espiritualidade e física quântica, entre outros assuntos. Esse documentário  foi um grande achado para mim. E quero dividir com as 3 mil pessoas que já clicaram nesse blog e com aqueles que acompanham constantemente.
Eu ainda quero assistir umas dezenas de vezes antes de emitir minha opinião a respeito, mas, sendo esta minha última postagem do ano na Taverna da Grega, deixo como presente para vocês poderem refletir também sobre esse tema tão profundo e instigante.
O vídeo 1 está sem áudio. Assisti ouvindo Chopin ao fundo, os demais tem áudio. Quem assistir não vai se arrepender. 
No final desse blog, nas referências bibliográficas das quais me utilizo para postar, há indicações de livros do autor. O que estraga é a péssima tradução. Mas são livros que também valem a pena ler.


A TODOS ÓTIMAS FESTAS!!!



Não procure a Deusa fora de si. Ela está bem dentro de você.

Tudo o que você precisa está dentro de você.
Este é o segredo para você se tornar um ser de luz.
Explore sua mente, limpe-a de todas impurezas dos erros cometidos no passado, da ira, da inveja, da ganância material e da falta de amor para com as pessoas com quem encontramos ou convivemos.
Seja a luz que ilumina as pessoas.

Lembre-se:

Ao orar, você recebe luz do mundo celestial mais elevado, mas ao meditar você emite sua própria luz Divina.
Mas, uma coisa não deve ser feita sem a outra. Para fazer a sua Luz Divina surgir, os passos são três:

1)Ore diariamente;
2)Faça auto-reflexão diariamente;
3)Medite diariamente.

Texto adaptado a partir dos livros “Princípio da Auto-Reflexão” e “Introdução à Happy Science”.


(Adaptado por mim de acordo com minha fé wiccana)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

FILHOS (José Saramago)

Recebi esse e-mail de minha amada madrinha e psicóloga, Tia Marga:

Filhos são do mundo (José Saramago)


Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até
de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos.
Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto
aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais
acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem
escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios
sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de
como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores
defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter
coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.

Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.

E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!

Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os fllhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles!
Santo anjo do Senhor...

É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !!! 



"
A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver " 
José Saramago


Ai, até apertou meu coração de mãe ler isso... Eu não enxergava claramente que meus filhos eram EMPRESTADOS...


No início de meu casamento, eu me esmerava para ser uma boa dona de casa. Um dia, enquanto eu passava as minhas roupas, as de meu ex marido e as de meu filho Eduardo então com 4 meses, vi que ele me observava no carrinho e sorria para mim. Ficamos assim por longo tempo: eu passava roupas, ele me observava e sorria e eu retribuía o sorriso. De repente lembrei da história de uma técnica de enfermagem que trabalha comigo, cujo filho morreu por volta dos nove anos, vítima de meningite. Então me dei conta de que filhos não são eternos, e que eles podem partir antes de nós. 
Larguei o resto das roupas por passar, tirei meu filhinho do carrinho e, daquele dia em diante não priorizei mais os afazeres domésticos, mas sim o contato com meus filhos, e os meus prazeres também, afinal, eu também sou mortal e entendi que há obrigações sim, mas há coisas, momentos muito mais importantes e que não podem ficar para depois. Eu já trabalhava fora e muito pra pagar as contas da família junto com meu marido, o resto do meu tempo deveria ser para me divertir com minha família e também para ter um tempo só meu!






















Bom, acabou que não me tornei mesmo uma boa dona de casa, minha maior atenção não era mais essa, a pressão de sogra e de ex marido foi grande, eu não soube lidar com isso, meti os pés pelas mãos, piorei tudo tentando consertar, meu casamento acabou (porque tinha que ser assim), mas eu NUNCA deixei de ser boa mãe, a minha prioridade era e é essa! Nesse  ''curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem'', eu tenho tirado boas notas!

Mas como aceitar que eles não são meus???

Alguns dias atrás, encontrei na formatura de minha menina (olha só, eu digo MINHA menina!) a diretora da escola onde eles estudam, ela elogiou minha boa forma, pois ela me viu com 100kg ao final da gestação do Nicolas e agora me vê com 63kg, ficou impressionada, me elogiou, perguntou o que eu fiz para emagrecer e manter meu peso, então expliquei a ela que segundo os orientais, excesso de gordurinhas, entre outras coisas significa mágoas guardadas, superproteção com quem amamos e etc., mostrei a ela que meus braços ainda são gordinhos, contei que isso é bem coisa de mãe, que 'abraça' os filhos e não quer soltar! Demos boas risadas, pois ela lembrou que tinha braços esguios antes de ser mãe também!
Então ela me perguntou qual era a solução, respondi: DESAPEGO.
Ambas encerramos a conversa com uma dúvida em nossas mentes: 

Como desapegar dos filhos??????

Complicado...

Bom, a vida tem me dado boas lições quanto a isso. Eu e o pai das crianças somos separados. As crianças moram comigo, apesar disso nosso contato não é tão constante quanto eu gostaria, pois trabalho cerca de 17, 18 plantões por mês e eles acabam tendo mais contato com meus pais e com a babá, mas moram comigo. E o pai deles, além de que tem direitos (mais direitos do que deveres, infelizmente), ele quer estar com os filhos, e os filhos querem estar com o pai e com a família paterna. "Dividir" a Mel e o Dudu tem sido mais fácil, embora nas férias eu sinta muitas saudades deles, mas o Nicolas, ah, o Nicolas... Separamos e o Nico tinha 4 meses! E o juiz concedeu a ele o direito de receber visitas do pai até os dois anos e meio, mas sem pernoitar fora. Mas com 1 ano e 9 meses eu percebi que já era hora de o Nico pernoitar na casa da avó paterna nos finais de semana, pois ele ficava muito sentido quando os irmãos iam e ele ficava. Então fui deixando. E foi mais difícil pra mim do que para ele...
E a prova de fogo será nessas férias, em que ele viajará para o interior e ficará fora por 15 dias, eu podia não deixar, o juiz nos garantiu até fevereiro, mas o Nicolas vai querer passar as férias na gandaia com os irmãos e com a família paterna! Acho que para ele será fácil, mais até que para os maiorzinhos, pois o Nicolas não conhece a vida de papai e mamãe casados, morando todos juntos. A vidinha dele é assim desde cedo: uns dias com mamãe, uns dias com papai.

Desapegar não é apenas deixar pra lá, não ver mais. É fácil desapegar de algumas coisas e pessoas, mandar embora, começar algo novo, mas temos que aprender que NINGUÉM É DE NINGUÉM, nem os filhos. Podemos e devemos continuar amando, continuar zelando, cuidando, mas com DESAPEGO. Amando de perto, amando de longe...

Estou aprendendo que meus filhos são emprestados. E há uma sensação de aflição, mas também de que estou no caminho da paz interior. Eles não são meus, eles estão felizes quando estão comigo, estão felizes quando estão longe de mim, e isso é muito bom.


O problema é que meu coração já é deles!


Então só me resta rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a MAIOR e MELHOR parte de mim !!! 




MUITO OBRIGADA, TIA MARGUINHA!!!