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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Alienação Parental

Esse assunto está muito na moda ultimamente, bem como guarda compartilhada. Na minha publicação de janeiro falo um pouco das dificuldades de se criar e educar os filhos sozinha, que é o que ocorre com a maioria das mulheres que se separam e detém a guarda dos filhos.
Escrevo esses textos para tentar ajudar mães separadas, pois imagino que poucos pais se dêem ao trabalho de lerem essas publicações. Não tive um divórcio amigável como eu gostaria.

Quando casei, tinha um carro 0km quitado e uma poupança de cerca de 15 mil reais, trabalhava em dois empregos e fazia pós gradução. Com essa poupança, dinheiro que eu guardei, compramos um terreno no qual pretendíamos construir.
Decidi separar em 28/12/2008. Foi comum acordo a guarda das crianças ficarem comigo e as visitações serem livres. Eu cumpri minha palavra, mesmo nos meses em que a pensão não veio. Já tínhamos dívidas, como não recebia pensão, tive que fazer mais empréstimos, pois morava de aluguel. Passei fome. Voltei pra casa de meus pais com os filhos e as dívidas. Fui muito tola, pois entregava meu cartão na mão do marido e ele pagava as contas, depois da separação surgiram contas em meu nome, de desde o início do casamento que não foram pagas. Meu nome foi para o SERASA, os juros foram correndo e eu fui me matando de fazer plantões extras para sustentar meus filhos, sem muito sucesso.
Um dia chegou uma intimação judicial no meu trabalho e o oficial de justiça, como manda o protocolo leu para mim. Nela dizia que eu não permitia as visitações do pai de meus filhos. Foi um grande constrangimento receber uma intimação judicial no meu trabalho.  Após muito choro e a ajuda de uma amiga e colega de hospital, fui para casa arrasada. Meus filhos estavam no interior, na casa da avó paterna. O oficial de justiça veio no dia seguinte me visitar em casa e pode constatar que as crianças não estavam comigo, logo, a acusação do pai dos meus filhos foi mentirosa.
No dia da audiência, pedimos a pensão 30% do salário do pai dos meus filhos, o que ele recorreu depois e cedemos. Isso já é uma injustiça muito grande, pois enquanto casados 100% do salário dos pais é para o sustento da família, após a separação, apenas 30% do salário do pai fica para os filhos e 100% do salário da mãe. Já falei sobre isso em postagens anteriores.
Dei todas as benesses de uma guarda compartilhada para o pai dos meus filhos, todos os direitos, mas todos os deveres ficaram a cargo meu e do meu pai, hoje com 79 anos. Nunca pedi um centavo por fora da pensão, nem ao pai, nem a avó paterna, também nunca me perguntaram se as crianças precisavam de alguma coisa por fora. Sempre que precisei, pude contar com meu pai.
E contei como tenho criado os três na postagem de janeiro/2015 "Somos quem podemos ser".
Nesse período o pai de meus filhos reencontrou um amor de adolescência, também separada e com filhos e eles reataram o romance. Por influência da namorada, para fazer pirraça para a própria mãe, minha ex cobra, digo, ex sogra, ele resolveu proibir a própria mãe de ver os netos, pois, pelo que ela me contou, ela impediu que eles casassem no passado. As crianças sofriam por não ver a avó paterna. Eles não tinham nada a ver com o pato, mas, sendo a avó castigada, o castigo sobrou para as crianças, que por 4 meses sentiram saudades da avó e não receberam nenhuma explicação do pai do por que eles estavam sendo impedidos de visitá-la. Foi então que ela resolveu pedir minha intervenção. E tendo os avós direito legal a visitações dos netos, eu interferi e promovi encontros entre elas e as crianças. Quando o pai deles descobriu, ouvi toda sorte de xingamentos, inclusive um bem feito que minha mãe estava falecida. Mas foi a única vez em que fiz valer o meu poder de guarda das crianças.
Eu optei por não casar de novo, pois sou responsável pelos meus filhos e pelo meu pai, tenho medo de agressões, pedofilia e etc, então, por minha escolha, decidi que não me casaria mais.
O pai das crianças casou e as crianças tiveram que engolir uma madrasta e 'irmãos'. Eu sempre os orientei a respeitarem e obedecerem a esposa do pai deles, bem como os filhos (embora crianças briguem mesmo), sendo que por parte da esposa do pai deles nem sempre esse respeito é recíproco. Ela por diversas vezes induz o pai a castigar fisicamente ou não os meus filhos. Sem contar que, segundo meus filhos, ela trata muito mal a própria mãe, dando mal exemplo para meus filhos, que aliás gostam muito dessa senhora, embora não aceitem chamá-la de avó. Eu sempre respeitei e cuidei dos meus pais por amor e para dar bom exemplo para meus filhos.
As crianças tem sofrido, o pai diz que lá é a segunda casa deles, entretanto entra em contradição quando lhes dá bronca por atenderem o telefone, ou quando eles tem que pedir para me telefonar, ou quando eles tem que pedir para comer qualquer coisa que tenha lá, ou quando eles ganham algum presente que não lhes é permitido trazer para cá, daí o presente acaba sendo usado mais pelos filhos da outra do que pelos filhos dele. O mesmo acontece na casa da avó.
Eu, depois de cerca de 5 anos parei de mandar roupas, pois além de que camisetas e shorts vinham estragados com terra vermelha, roupas íntimas eram comidas por cachorros e tudo tinha que ser reposto por mim (e sem reclamar, esse era o recado que me mandavam!) Já que eles tinham uma nova casa, era lógico que nessa nova casa eles tivessem seu armário e suas roupas. E seus colchões, o que não ocorre, pois uma das pessoas da casa urina na cama e os colchões urinados são sempre passados para os meus filhos, que não tem esse problema de enurese noturna. Falei sobre isso na postagem "Disputa de Egos- sobra pra quem?" de junho de 2014.
Várias vezes fui aconselhada a procurar o conselho tutelar, pois desde o começo ocorriam coisas graves, como a vez em que com 3 anos de idade a Melissa foi brutalmente agredida por um primo tendo o braço deslocado, quando ela voltou com uma queimadura de 2º para 3º grau na axila,  e algumas humilhações pelas quais o Eduardo passou. Mas sempre fui desestimulada por meu pai e meu advogado a fazer isso e sempre tive medo de piorar as coisas, de fazer as crianças sofrerem, de agir mais por picuinha do que pela razão. Foi muito complicado, ainda mais que normalmente os dois maiores gostam de visitar o pai apesar das decepções que eles mesmos expressam constantemente, tirando um evento em que o Eduardo se sentiu tão humilhado que se recusou por 2 meses a ver o pai. E ele joga pensão na cara das crianças, ele e a avó. E eles se recusam a entender e a acreditar que pensão alimentícia é tributável, ou seja, o Leão come grande parte da pensão.

http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2015/perguntao/assuntos/rendimentos-tributaveis-pensao.htm

"

Rendimentos Tributáveis - Pensão

206 - Qual é o tratamento tributário aplicável à pensão alimentícia recebida mensalmente?

O rendimento recebido a título de pensão está sujeito ao recolhimento mensal (carnê-leão) e à tributação na Declaração de Ajuste Anual. O contribuinte do imposto é o beneficiário da pensão, ainda que esta tenha sido paga a seu representante legal. O beneficiário deve efetuar o recolhimento do carnê-leão até o último dia útil do mês seguinte ao do recebimento.
Atenção:
Se um contribuinte informar em sua declaração de ajuste um dependente que receba pensão alimentícia, deve incluir tais rendimentos como tributáveis, independentemente do valor. Pode ainda o beneficiário da pensão apresentar declaração em nome próprio, tributando os rendimentos de pensão em separado.
(Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, arts. 53, inciso IV, e 103)"

 Então eles acham que é um grande valor pago às crianças, mas não é! Aliás, opinião minha, hoje meu pai vive de aposentadoria, mas quando trabalhava, se exercesse hoje a mesma função, estaria ganhando mais de R$15.000,00, então eles acham que R$2400,00 pra 3 filhos é uma fortuna, eles deveriam ter vergonha, pois na idade de meus filhos, se eu quisesse, eu limpava minha bunda com esse valor! As crianças se ressentem de terem a pensão jogada na cara. às vezes, sabendo que estou sem dinheiro, as crianças pedem algo ao pai e a avó, e a resposta é: "Peça a sua mãe, ela recebe pensão".
E eu nunca os induzi a pedirem nada, nem nunca pedi nada também.
Mas 2015 foi um ano difícil para todos. Ontem ouvi na CBN que apenas 2% das famílias do Brasil sustentam o país. E eu faço parte desses 2%. E está difícil. Vieram as despesas de rematrícula, 13º, terço de férias e férias da babá, fora IPTU, IPVA, prestação de carro que comprei usado. Tirando a prestação do carro que não pude pagar, paguei todas essas contas, mas percebi que este ano os meninos precisavam de chuteiras novas e mochilas e eu não poderia comprar essas coisas dessa vez, pois ainda tinha material escolar para comprar e uniformes escolares. Meu pai dessa vez não poderia me ajudar, pois minha irmã agora também está passando por dificuldades e precisando da ajuda dele.
Então, pela primeira vez tive que literalmente me humilhar e pedir ajuda à avó e ao pai. E embora eles recentemente tenham feito viagens pelo Brasil, comprado carros 0km, gasto com celulares de mil reais e cirurgias plásticas, a recusa foi imediata.
Não teve como evitar o choro, a revolta, o ódio. Eu não mereço isso e muito menos as crianças! Estes me contam que quando o pai vai ao terreiro de candomblé, a mãe que recebe um marinheiro o acusa de avarento e de mal pai. Não é preciso ser mãe de santo, nem receber santo pra notar isso. Só ele não acha.
Fiz um curso oferecido pelo Conselho Nacional de Justiça para Pais separados: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/11/cnj-lanca-curso-online-para-evitar-brigas-entre-pais-depois-da-separacao.html
No curso, entre outras coisas importantes que falam sobre o sofrimento dos filhos, fala sobre Guarda Compartilhada, lá afirmam que a guarda compartilhada, além de garantir que os filhos não sejam afastados de um dos pais, garante que seja obrigação de ambos os cuidados como levar a médicos, permanecer durante internações hospitalares, levar e buscar na escola, enfim, dividir cuidados. Eu estou cansada! Criar, educar e prover para meus filhos, participar de suas conquistas, vitórias e derrotas é um prazer indescritível, mas são 7 anos que a minha vida é quase que exclusivamente trabalhar, prover e cuidar. Não me sobra dinheiro e tempo para passear, para reformar coisas que esta casa velha necessita, pra ter vida social, pra buscar ao menos um namorado fixo e não viver de aventuras esporádicas. Mas meu advogado diz que na prática isso não funciona, pois aquele que não quer saber de cuidar, pode alegar incompatibilidade de horário de trabalho. Como se nós, que ficamos com a guarda fossemos obrigadas a levar jornada dupla, tripla... O outro pode refazer e curtir a vida adoidado. Quem fica com a guarda, apesar da alegria de fazer parte de tudo de bom e de ruim e de dividir méritos e fracassos, fica acorrentado. A justiça entende que apenas um tem direito a refazer a vida e até a formar uma nova família, deixando a primeira, os filhos, em segundo, terceiro, quarto plano.
É muito injusto com aquele que detém a guarda.
E nós não podemos abrir a boca, somos amordaçadas, senão estamos praticando alienação parental.
Ontem passei muita raiva da ingrata da avó de meus filhos: ela deu um celular para o mais velho e não deu o chip. Os presentes que eles ganham de lá sempre vem incompletos, sobrando para mim e para meu pai comprar as partes faltantes dos presentes. Ontem ela falou ao telefone para eu comprar o chip para o Eduardo, "que é baratinho", sabendo ela que já faz 2 meses que não pago prestações do meu carro e que não tenho como comprar uniformes que eles precisam, já que tive que comprar as mochilas e chuteiras que eles precisavam. Xinguei aos berros, se estivéssemos frente à frente provavelmente eu seria presa por espancar uma idosa.

Por que escrevo essas coisas? Porque além de que me serve de desabafo, talvez ajude mulheres que estão se divorciando e tem filhos, e, melhor ainda talvez ajude a pais a serem PAIS. Já que meus filhos não tem essa sorte.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

DISPUTA DE EGOS- sobra pra quem?

Já contei um pouco da minha história aqui, sobre minha religião, minha família...
E acho que vai para 6 anos que me divorciei... Queria falar um pouco como vai a vida desde então.

O casamento tá uma merda, o casal tá quase se matando, então você conclui que a separação é a melhor saída, já que juntos há brigas. Mas tem em mente que, já que supostamente não houve traições, dá pra manter uma relação cordial. Pois se há filhos, há sim uma eterna relação... infelizmente.

Comigo foi assim, foi assim que eu pensei. Até descobrir o caráter da pessoa por quem você se apaixonou, se casou, quis ter filhos. Você imagina que os filhos continuarão sendo filhos. Então descobre que não é bem assim. E que, se você fica com a guarda dos filhos, a lei não está a seu lado. Não está.

Alguns meses sem receber a pensão das crianças me fizeram voltar para a casa dos pais de mala, cuia, filhos e dívidas... Ainda assim, não quis denegrir a imagem do pai para as crianças e, apesar de constantes discussões sobre pensão, eu permiti as visitações normalmente. Até receber no meu local de trabalho uma intimação afirmando que eu impedia o pai de ver os filhos. Diante da minha choradeira, o oficial de justiça comovido foi me visitar em casa. E pode constatar que as crianças não estavam lá. Estavam com o pai...
O bom é que o juiz não deu nem trela para este fato e, diante dele, eu afirmei e o pai deles não negou que ele tinha livres visitações. Então dei entrada no pedido de pensão para os três filhos. E consegui os 33%, valor máximo que a lei oferece, apesar de que o pai deles achando muito entrou pedindo parte do valor depositado nas férias, alegando que fica com os filhos e fingindo esquecer que escola, perua escolar, babá e etc também são pagas nas férias, mas enfim, concordei para não correr o risco de o juiz me achar fominha e resolver baixar esses 33%.

33%. É isso que sobra para os filhos. Quando você está casada, 100% do seu salário + 100% do salário do marido são para as despesas da família. Você separa, fica com a guarda e então são 100% do seu salário + 33% do salário do ex marido para as despesas da família. A lei entende que no caso o ex marido tem direito a compor um novo lar, formar uma nova família. A mulher não. E se o homem for autônomo, desempregado, vive de bico, trambiqueiro, não importa, não é problema dele. E ponto. A lei também não obriga que ele seja presente e participe como um pai deve participar. Eu tenho a sorte de ter um pai, um pai maravilhoso e um avô mais maravilhoso ainda. Que conversa, escuta, estuda junto, educa, aconselha, zela. O dia que ele se for, estamos todos órfãos... literalmente.

E as piadinhas de batalhão? "O dinheiro que o governo não me toma, a ex mulher leva tudo, hahahaha"
Piadinhas que ele faz para policiais que me encontram no meu trabalho e me contam. Ainda bem que eles vêem o quanto eu trabalho e sabem que o único homem que me sustentou nessa vida foi meu pai!!!

No começo eu ainda dava satisfações, o que as crianças andavam aprontando, falava sobre suas notas, mandava boletins, contava suas malcriações. Mas era como falar ao vento. Também falava sobre despesas, pedia ajuda sobre algumas coisas que eu não podia prover, ou pedia pra levar a um médico, um pronto socorro. Ouvi mais 'nãos' do que 'sims'. Mesmo quando arrumei mais um emprego, mesmo trabalhando mais de 60h/semana... aliás, foi nessa época em que só ouvi 'nãos'! Ouvi tantos 'SE VIRA', 'NÃO DÁ CONTA? DÁ A GUARDA PRA MIM', esse 'dá a guarda pra mim', leia-se: 'dá a guarda pra mim que a minha mãe, a avó deles é quem vai cuidar (hoje seria a atual mulher dele), pois ele mesmo sabe que não tem capacidade pra isso. Porque se fosse pra ele cuidar, eu até dava a guarda, pra ver a merda que ia dar! Mentira, não dava não, eu não ia suportar meus filhos sendo mal cuidados, rsrs.

Minha tia Nini certa vez disse: "Mantenha boas relações com a ex sogra, pois o homem quando separa deixa de amar os filhos, pior se arruma outros filhos com outra, então só a ex sogra vai te ajudar quando você precisar". E tenho seguido o seu conselho, embora nem quando as crianças não recebiam pensão a avó ofereceu alguma ajuda. Se fez de cega, surda e muda.

E seguiu assim, nos finais de semana e feriados, as crianças eram levadas para a casa da avó onde, segundo as mesmas, o pai dormia e a avó cuidava. E quando meu pai e minha mãe estiveram internados, a avó cuidou.

Lições de casa, estudar para provas e trabalhos escolares, condução para escola, para a academia, para médicos? Sempre foi comigo, com babá, com meu pai e minha irmã. Eu sei as matérias que eles gostam, as que eles detestam, as dificuldades, as notas, os amigos mais chegados, os colegas que eles não gostam. Não sei por que o pai teima em ir a todas as reuniões de escola se não acompanha nada disso... Eu sei sim. Faz uma média com as professoras, assina a lista de presença, assim, caso eu entre com algum processo, ele tem uma prova material de que é um pai presente. Bobo, não? Claro que não.
E foram assim todos esses anos, segui cumprindo a minha obrigação: não falando mal do pai deles na presença deles (senão é alienação parental (ainda tem essa!)), convidando ele e a família dele para eventos escolares e de academia. E ele incapaz de me dar um 'bom dia', boa tarde', para deixar os filhos contentes. Eu não faço questão que ele me cumprimente, não é ele que vai fazer do meu dia bom ou ruim, é pelas crianças!

Então surge uma nova namorada, que se torna uma nova esposa. 
Eu sempre joguei limpo com as crianças: sempre disse que não pretendo me casar de novo, que isso é uma escolha minha, que pode ser que um dia aconteça, mas que isso não faz parte dos meus planos. Apresentei namorados, ficantes, peguetes. Nas raras vezes em que tenho vida social, conto onde vou, se vou beijar, se é passeio só com amigas, se vou dormir fora. Conto pra eles o que eu espero que eles me contem quando for a vez deles. Claro que detalhes muito íntimos eu omito, embora já tenha explicado para os maiores o que é sexo.

Mas quando surgiu a namorada do pai, que ele sempre apresentava como amiga, deixando as crianças confusas e cheias de dúvidas, eu expliquei que o pai deles estava namorando. Simples assim.

Essa namorada ganhou o meu respeito e consideração por tratar bem meus filhos. Eu sempre os orientei a obedecê-la, a serem educados com ela e com os filhos dela. Mas crianças tem ciúmes! E o pai deles deveria usar um pouco de sensibilidade ao invés de querer enfiar goela abaixo das crianças uma "segunda mãe" como ele fala e "irmãos".  Não, não, não! Pára tudo! Não tem nada de segunda mãe e novos irmãos por enquanto! Essas coisas vem com o tempo, com a convivência, com o respeito, não obrigando!!!

Mas o meu respeito e consideração por essa cidadã acabaram logo. Acontece que a relação das crianças com o pai já é delicada: conflito de gerações, de idéias, de gostos, inflexibilidade, pouco diálogo... O pai deles é militar, preciso dizer mais?
Preciso sim: tudo as crianças perguntam pra mim, os maiores já querem saber sobre sexo, namoro, gravidez, menstruação e diversas coisas e acaba que eles só tem a mim como referência. O vovô, embora eles o idolatrem, está muito velhinho!

E eu fico muito feliz  na Associação Cristã de Moços- ACM, academia que frequentamos (mesmo não sendo cristãos) que meus filhos tenham professores do sexo masculino. Esses professores desconhecem o papel que eles desempenham na vida de meus filhos! Eles são referência de homens que trabalham, de mestres, de pessoas de caráter íntegro, eles ensinam, conversam com meus filhos, escutam as crianças, ensinam sobre atividades físicas, sobre a importância do cuidado com o corpo e com a saúde, do trabalho em equipe, do respeito às diferenças, da superação de dificuldades, lhes dão também carinho e tantas outras coisas que acabam preenchendo lacunas, acabam se tornando referência masculina para minhas crianças e eu olho de longe esse contato e sou muito grata! Não que as professoras não desempenhem um papel importante na vida deles, mas eu já sou uma boa referência feminina que as professoras acabam complementando.

Voltando ao fim da consideração pela madrasta das crianças, esse fim se deu quando, além de invadir um espaço muito meu, ela começou a provocar intrigas entre o pai e meu filho. Esse último eu não tolero, não aceito, não engulo! Um milhão de padarias no mundo, eles vêm de outra cidade, só na minha rua há 3 padarias, mas eles tem que ir naquela que eu vou desde que nasci. Vêm na minha casa buscar as crianças ela tem que vir, descer do carro, daqui a pouco vai querer entrar e tomar um café!
Há quem diga que isso é ciúme, nem ligo, tenho amigas separadas que me entendem, uma delas é minha irmã: minha irmã foi segunda esposa e o marido tinha uma filha com a ex. Ela tinha que levá-lo a casa da ex, pois ele é deficiente visual, ela parava o carro em outro quarteirão, ele descia e ia buscar a filha. Minha irmã respeitava o espaço, o território da outra! Se eu sou obrigada a dividir meus filhos com outra mulher, eu quero que ao menos o meu quadradinho, o meu pedacinho de terra seja devidamente respeitado! A calçada é pública? Foda-se, aqui a calçada é minha!

Então começaram as intrigas. Quando eram só comigo, eu ia levando, engolindo a maioria, dando uns chega pra lá, de vez em quando. Mas daí a intriga foi com a mãe dele: proibiu a avó de ver os netos! E os netos amam a avó!!! E não podiam vê-la!!! Tive que intervir, muito pelos meus filhos, um pouco pela avó também, não desgosto dela, até gosto um pouco, mas independente disso, os netos a amam, eles tem direito a vê-la e vice e versa! O que esperar de um cara que faz uma maldade dessas com a própria mãe e com os próprios filhos? Tive que intervir. Que mandar as crianças para a casa da avó à revelia dele. Ele me xingou muito e várias vezes por isso por telefone, é claro, porque pessoalmente ele se caga! E as crianças nesse meio chateadas por estarem impedidas de verem a avó!

Depois as intrigas começaram a sobrar para o meu mais velho: castigos físicos(*) e xingamentos em público (em público sim, a outra família dele são os outros sim, por enquanto!). E algumas dessas intrigas instigadas pela madrasta. Que além de tudo começou a mandar recados pra mim pela minha filha de 9 anos!!! E a fuçar meu facebook! (Tive que bloquear pra poder dividir o que eu penso com quem eu quero!).
Gente muito covarde essa! Um me xinga de tudo o que é nome, xinga até meus ancestrais pelo telefone, pelo telefone, porque é fácil ser 'capitão tudão' pelo telefone, só que quando eu dou meus gritos sai correndo, vira uma moça, e a outra muito machona também, manda recados pra mim por uma menininha de 9 anos, minha filha, uma criança, porque vir aqui, tocar a minha campainha e me falar pessoalmente também não tem coragem! As crianças me contam que quando vão ao terreiro a mãe de santo deles insinua que o pai deles ainda gosta de mim, o que provoca brigas entre o casal. Aliás, as crianças me contam tudo o que acontece no terreiro, eles detestam ser obrigados a ir lá! E que porra tenho eu a ver com as merdas que fala a mãe de santo! Mas nem tantas merdas, afinal ela já o colocou de joelhos e berrou na frente das crianças o fracasso de ser humano e de pai que ele é. Pena que entra por um ouvido e sai por outro!

Não se pode ser contraditório com crianças, dizer: "aqui é a sua segunda casa" e na sequencia dar bronca na criança que atendeu o telefone dessa segunda casa dizendo que não se pode atender telefone na casa dos outros! Isso é ridículo, contraditório, revoltante! Crianças não são burras! Elas não vestem farda e saem por aí batendo continência e cumprindo ordens! Eles pensam, sentem e questionam!

Resolvi não mandar mais malas de roupas. Algumas amigas aconselharam a fazer isso, outras desaconselharam. O que acontece é que em todos esses anos roupas vem sujas, manchadas, estragadas, comidas por cadela alheia e com o recado pra eu não encher o saco!!! E não são repostas, quem tem que repor sou eu! E os meus 100% com os 33% deles não tá dando! Fora os comentários vindos de lá do tipo: "me dá um desgosto quando eu abro a mala de vocês!" Comentários estes que chegam em mim! Desgosto por quê? Alguém me explica? Em alguma foto ou pessoalmente alguém viu meus filhos mal vestidos? Eu ando mal vestida, não faço unhas, não pinto meus cabelos, mas meus filhos vão muito bem obrigada! E já que além de não estarem satisfeitos, estão mandando coisas estragadas e roupa limpa misturada com roupa suja, tudo embolado, sem considerar gastos de água de de luz, já que meus filhos tem 2, 3 lares, que nesses lares eles tenham também as suas roupas, seus armários, pois até travesseiros eu tinha que mandar!

CHEGAAAAAAA!!! É o meu desabafo! Já que vomitar tudo isso nas orelhinhas das crianças vai machucá-los e falar tudo isso para os de lá não adianta nada, eu escrevo aqui, porque entre outras coisas isso aqui funciona como um diário meu, também é um aviso pra mulheres que estejam se separando, para elas se prepararem para o que pode vir, e para que quando meus filhos forem grandes, eles saibam o meu lado da história, embora eles não sejam cegos, nem surdos, nem burros e já tirem suas conclusões do que eles têm observado.
Tenho familiares, amigos e babás que podem comprovar que tudo o que escrevi é verdade.
A pedido do meu mais velho já quase entrei com pedido de visitações supervisionadas, mas diante das dúvidas dele mesmo, tenho esperado que as coisas se resolvam de uma forma melhor pras crianças.
Mas eu vou criando meus filhos bem criados, mesmo com críticas de lá, mesmo sem ajuda de lá. Eu sei disso, não sei se eles sabem. Acho que sabem... E espero que eles não tenham problemas psicológicos por conta de tudo isso, porque eu ponho a minha mão na consciência, sou até crítica demais comigo mesma e procuro ser uma ótima mãe!

(*)Não tenho nada contra palmadas e chineladas, desde que sejam dadas por que cuida, quem dá banho, quem leva ao médico, quem trata dores, angústias, medos, quem faz condução escolar e demais conduções, quem estuda junto, participa de trabalhos escolares, e todos os eventos, aconselha, escuta, enfim, quem cria e está sempre lá, cumprindo o seu papel. Se não faz nada disso, não tem o direito de querer educar, ainda mais com castigos físicos, muito menos na frente de quem NÃO É DA FAMÍLIA DELES! É o que penso.