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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Solidão de Mãe

Tudo o que eu mais falei nesse blog de assuntos variados foi sobre as dificuldades de se criar os filhos sozinha. Não posso reclamar da vida. Há mulheres com maiores dificuldades do que eu. Tenho meu generoso e bondoso pai, tenho uma irmã que vem de longe na hora do aperto, quase sempre dei sorte com babás. Então, tudo poderia ser pior.
Mas há coisas que machucam, que doem...
Quando o Eduardo operou as amídalas e adenóide, eu estava casada. Eu e o pai deles fomos juntos e lá ficamos. Já quando ele teve a primeira crise asmática grave, já estávamos separados, levei o Edu de táxi para o convênio, ele recebeu atendimento e quando vieram atrás de mim, que estava ao lado dele, para preparar a internação dele, eu desabei em lágrimas. Lágrimas de solidão. Senti-me como uma criança cuidando de outra... E fiquei lá com ele por 4 dias, tomando banho e vestindo a mesma calcinha e as mesmas meias, noite e dia, fiquei fedendo. Ainda bem que havia meu pai e babá para cuidar dos outros. No dia da alta, estava sem dinheiro para táxi, e pedi ao pai deles que nos buscasse. Foi tanto arrependimento, foi feito um clima tão desagradável desnecessariamente, que eu deveria ter entregue o guri para ser trazido e voltado a pé, do Cambuci até Santo Amaro... teria sido melhor...
E sempre segui cuidando e fazendo o possível, levando para médicos, dentistas, oftalmos, foram momentos de correria e cansaço, mas sem estresse. Deu pra levar razoavelmente bem ( Leiam a postagem Somos quem Podemos Ser, de 25 de janeiro de 2015).
Passei aperto semelhante com a Melissa, mas menos grave. Tive que correr do trabalho e passar a noite no hospital, depois na volta, cansada e motorista limitada,  me perdi com ela pela cidade, tomei um susto ao vê-la dormindo com a cabecinha pendurada e balançando, tive que parar o carro para verificar se estava viva, desmaiada, dormindo. E o susto me fez precisar da ajuda de um amigo, por telefone, pra me ajudar a chegar em casa. Fora a vez que um primo sádico (lado paterno) deslocou o bracinho dela e sobrou para mim segurá-la, enquanto o ortopedista tracionava o membro pro lugar. Meu chefe da época pacientemente esteve comigo.

Quatro anos depois, eu estava de plantão e o Eduardo teve outra crise, muito pior. Abandonei o plantão e quando cheguei em casa, depois de ter presenciado óbitos de crianças com o mesmo quadro do Eduardo, tive medo de colocá-lo no carro ou num táxi e levá-lo. Chamei o SAMU. Na ambulância pelo menos ele poderia ir recebendo oxigênio e ele precisava mesmo, pois estava com uma saturação de oxigênio abaixo de 80% (quando o normal é no mínimo 94/92%). Fomos precariamente atendidos no UPA. Na minha visão de enfermeira eles não estavam muito preparados para atender urgência (Imaginem uma emergência! Isso porque eles são geridos pelo Hospital Israelita Albert Einstein e o pessoal também é contratado e pago pelo mesmo. Diga-se de passagem que quando a ambulância chegou, os profissionais sumiram e o primeiro atendimento foi dado por mim e pela profissional de enfermagem do SAMU, até que uma alma desse as caras e escutasse eu dizendo: "Oi, eu sou a MÃE! Cadê médicos, auxiliares e enfermeiros???). Então ele recebeu um bom atendimento e pela manhã foi transferido para o Pronto Socorro Infantil do hospital em que trabalho e de lá, rapidamente ele foi para o andar. Eu já estava acordada há umas 36 horas a essas alturas e, sabendo que ele ficaria por uns dias, liguei para o pai dele e pedi que viesse ficar com ele, para que eu pudesse tomar um banho, pegar roupas íntimas para nós dois, ver meus outros filhos e voltar para junto do Edu. O pai não podia. Estava de serviço... suspiro...

Eu pergunto: Que pai que não é liberado do serviço quando o seu filho é levado pelo SAMU para um hospital, numa urgência e lá vai ficar internado??? Se alguém puder me dar uma resposta plausível, eu agradeço, pois, me desculpem o linguajar, eu não estava dando a bunda, eu abandonei o plantão com ciência e autorização da minha supervisora de enfermagem para prestar socorro ao meu filho. Depois minha escala foi rearranjada pela minha chefe imediata, para que eu pudesse assistir os cuidados e estar com ele, mas eu precisava buscar roupas, tomar banho, ver os outros dois...
Quem veio foi um amante com quem eu havia brigado poucos dias antes e disse que não queria nunca mais vê-lo. Esse homem a quem eu ajudei muito fez uma única boa ação para mim, a qual eu sou muito grata até hoje, terminado o relacionamento. Largou o seu trabalho (coisa que o pai não podia fazer) e veio ficar acompanhando um menino que não era filho dele, para que eu pudesse me organizar. No terceiro dia, foi minha irmã quem faltou ao trabalho dela para permanecer com o sobrinho. E enquanto tudo isso acontecia, meu pai, junto à babá cuidava para que os outros fossem à escola e corresse tudo bem.

Tantos amigos meus foram visitar o Edu. Todos.

Numa noite o pai veio visitar. VISITAR!!! 
Saí, fui dar uma volta pelo hospital, para dar privacidade a pai e filho. E para meu espanto, após 15 minutos o pai ligou no meu celular avisando que precisava ir embora. Visitinha de 15 minutos no hospital onde o filho está internado??? Alô produção: pode isso???

Então, no dia seguinte revoltada liguei para ele e o ameacei: disse que eu precisava deitar meu corpo na minha cama, que precisava estar com meus outros filhos, que estava cansada e que se ele não passasse uma noite com o filho, ele já podia entrar com uma ação contra mim na justiça, pois eu o impediria de ver as crianças até que ele ganhasse a ação. E ele foi. Acho que nem tanto pela minha ameaça, acho que mais por algum conselho da mãe dele. Foi passar a noite com o filho que eu não fiz com o dedo... E no dia seguinte, o Eduardo que não conseguia manter uma saturação boa sem máscara de oxigênio, ficou bem e teve alta... Não preciso nem comentar para os que tem uma visão holística que o Eduardo precisava da atenção do pai dele.

Nesses dias vi mães com seus filhos, que tinham outros filhos. Deixaram seus outros filhos com avós ou vizinhos... E quando iam ver como estavam seus outros filhos, tinham que abandonar os filhos hospitalizados. Foram momentos em que eu deixava o meu por uns 20 minutos para dar uma olhadinha, acalmar o choro dessas crianças que ficavam com medo por estarem sozinhas num hospital...

Amanhã o Nícolas vai fazer uma cirurgia. Depois vou fazer uma postagem sobre isso, mas vai ser uma postagem sobre saúde. De interesse para pais e mães. Então, não vou nem falar aqui sobre o que ele vai operar. Só comento que fizemos uma via crucis por médicos, com ajuda de meus padrinhos, pois até para Campinas fomos. Vários exames. O Nico sempre com medo, medo de tomografia, medo de ultrassonografia, medo de médicos, medo de injeções... sempre nós dois. Só nós dois. Consegui arrancar do pai dele que o levasse para um exame de sangue e ainda tive que orientá-lo a abraçar bem o Nico, pois o pequeno faz escândalo, chora, e o pai não sabia disso. Mas foi, com dor no bolso, mas foi.
Avisei sobre o dia e a hora da cirurgia para a família paterna, por obrigação e um pouco na esperança de que algum deles se organizasse para estar conosco. Mentira. Eu não tinha a menor esperança. Foi gozação. Eles esqueceram, ou fizeram que esqueceram...

E amanhã, as 6h da manhã, estaremos eu e o Nico no hospital, só eu e o Nico. Ambos cheios de medo. O Nico é muito medroso, tadinho. E eu sou mãe. 

No fundo eu sei que será uma cirurgia simples e rápida, sei que vai dar tudo certo. Mas ele vai tomar dormonid antes da cirurgia. Eu não gosto de dormonid, das vezes em que passei por procedimentos em que precisei tomar, senti agonia da morte. Há pessoas que não sentem isso, há outras que sentem... não quero que o Nico sinta. Ele vai tomar anestesia geral, que como toda anestesia tem riscos... Eu não preciso vê-lo para imaginá-lo entubado. Eu estarei com ele no Centro Cirúrgico até ele entrar na sala de cirurgia, e estarei com ele na sala de recuperação anestésica, onde eu já estive com minha mãe e presenciei ela tendo uma reação anafilática, quando até ajudei na assistência dada a ela. E foi horrível pra mim, foi traumatizante. Ser Enfermeira nessas horas talvez seja até pior...
Não sei se ele receberá alta no mesmo dia. Creio que sim. Então fico pensando como vou colocá-lo no táxi sem machucá-lo, porque ele está pesado para mim...
E já chorei por alguns momentos e espero conseguir sorrir e conter as lágrimas de solidão e medo quando eu estiver lá.

Então há pessoas que não falam, mas me olham diferente quando expresso minhas revoltas com o pai dos meus filhos. Já houve quem teve a ousadia de afirmar que eu tenho algum sentimento por ele. Tenho sim, mas é um sentimento que não cabe aqui falar, mas não é de amor, nem ódio. É aquele sentimento que você tem ao observar um animal morto, em avançado estado de putrefação.

Espero que quem leia este post entre hoje e amanhã, faça as orações de sua fé, envie boas vibrações para o Nico e para mim.

Um dia, daqui a muitos anos, essas postagens sobre a minha vida de mãe solteira vão se tornar um livro. Espero que seja um livro de final feliz, com filhos adultos, bem formados, bons profissionais, bem resolvidos e de uma mãe orgulhosa. E espero que sirva para mães solteiras, divorciadas e para que os pais saibam que suas obrigações com os filhos continuam depois do divórcio.

Essa história de alienação parental para mim é algo muito complicado. Há mulheres que usam de má fé contra pais por vingança, sentimentos feridos, não pensam no estrago que estão fazendo na vida dos filhos, não pensam na maldade que fazem com pais e filhos na formação de seus vínculos. Eu sempre tive a preocupação de não denegrir o pai das crianças para eles, até o momento em que eles mesmos começaram a enxergar o descaso, a falta de cuidados, a avareza e começaram a expressar isso. Também não acho justo mulheres, mães, passarem pelo que eu passo e por situações até piores e terem ainda (por lei) que manter uma bela imagem dos pais, guardando um engasgo dentro do peito.
Hoje eu já não ligo muito para isso. Tentei várias vezes por o pai das crianças para participar da vida deles, dos cuidados, como uma forma de ajudar no vínculo deles, pelas crianças e até por ele mesmo e ouvi muitos "se vira",  "estou de serviço" e até xingamentos.  Fiz por mim também, porque sou uma só, porque também trabalho para prover, porque também me canso, porque são três filhos...
Hoje eu não ligo, desabafo com meu pai, minha irmã, com a babá, evito que seja na frente deles, mas se eles escutam, não esquento a cabeça. Quer me processar, vai fundo. Pegue a guarda, peça pensão e faça melhor. #SQN

Dias atrás conversando com um amigo muito querido, de muitos anos, ele contou que ao separar a filha dele tinha 3 anos e ele procurou ser um pai presente (e eu sei disso, acompanhei isso). Mas, segundo ele, não foi o suficiente. E hoje, com a filha adolescente, com 16 anos, ele escuta cobranças dolorosas para ele, mas não tira a razão da filha. 

Agora a pouco, eles chegaram da casa do pai e o Nico me disse: " O papai disse que vai ligar amanhã e depois de amanhã pra saber como foi a minha cirurgia". Fiz com que as crianças saíssem, liguei para o pai deles e falei calma e resumidamente tudo o que escrevi aqui. Ele escutou calado, o que me causou espanto, pois ao lado da esposa, ele gosta de fazer uma cena. Agradeci pela atenção e desliguei.

Oiiiii!!! Seu filho vai passar por uma cirurgia, vai tomar anestesia geral e ser entubado, depois eu não sei como vou carregá-lo sem machucá-lo, pois ele está pesado para mim da cadeira de rodas para o táxi e do táxi para o quarto de casa que é sobrado. Ele está com medo e eu também! E você vai ligar pra saber como foi??? Não será um passeio nem uma viagem de férias para você simplesmente telefonar para saber como foi!!! 
Não foram essas as minhas palavras para ele, mas garanto que fui educada. Essas, eu deixo para os leitores.

Então, por enquanto, encerro por aqui, deixando para reflexão.


domingo, 25 de janeiro de 2015

Somos quem podemos ser

Tem horas que dá vontade de ser duas!
Quantas vezes amigos me chamam pra dançar e não posso, estou de plantão? Ou sem $$$? Mas se o pior fosse esse, tava bom.
O Eduardo agora vai estudar das 7h da manhã ao meio dia. E os menores das 13h as 17h. Os menores vão continuar fazendo academia de manhã. E o maior a tarde. Vai ficar mais puxado pra babá e para mim. Até meu pai vai entrar na roda: quando eu estiver voltando de plantão ele quem vai levar o Edu pra escola. Quando eu estiver indo pro plantão a babá vai levar o Edu de trem para a academia e de lá eles vão ter que literalmente sair correndo pra buscar os menores na escola. Nas minhas folgas, a via crucis será minha: levar o maior as 7h pra escola, então ir pra academia com os menores, buscá-lo ao meio dia, dar almoço, levar os menores pra escola, levar o maior pra academia enquanto a babá busca os menores ou vice e versa...
Todas as vezes em que tentei incluir o pai de meus filhos nas tarefas a resposta mais educada foi: 'Meu horário de trabalho não permite'. E a menos educada foi: "Não dá conta? Dá a guarda pra mim!" Como se ele quisesse de fato a guarda dos filhos, como se eu tivesse tomado a guarda à força. Como se eu o impedisse de participar da vida das crianças. Como se ele fosse um pai amoroso, que adora conversar e estar com os filhos...
A impressão que eu tenho às vezes é a de que ele quer ver se eu consigo me virar. E aos trancos eu consigo. Não sai perfeito. Nem sempre as coisas saem como eu e as crianças gostaríamos. Mas sai a contento. E eu acho que ele morre de raiva.
Besteira isso. Seria muito melhor para as crianças e até para ele se ele participasse.
Esses dias a avó paterna de meus filhos me perguntou se poderia pagar e levar a Melissa ao psicólogo. Respondi que até poderia, mas que eu achava que o dinheiro dela seria melhor investido se ela levasse o filho dela, pai de meus filhos a um psicólogo. Eu sei que se a avó de meus filhos morasse em SP, ela me ajudaria com esses afazeres, que em parte são obrigações do pai deles. Mas ela não mora. E meu pai já faz mais do que o peso da idade lhe permite.
Um dia lamentei com meu primo que gostaria de poder levar as crianças à academia todos os dias e não dia sim, dia não, que é o que dá pra fazer com os meus horários. Ele me disse pra não me culpar, que era obrigação do pai deles levá-los quando eu não podia. Isso serviu de consolo. Eu sou a mãe que eu posso ser.
Em dias de chuva, chego atrasada no serviço, pois não tenho coragem de deixá-los voltarem a pé da escola debaixo de chuva, é até perigoso, às vezes alaga, tenho medo que algum deles caia num bueiro!
E esses dias a Melissa postou no facebook a seguinte charge:
Só que ela escreveu o seguinte comentário: "Com a minha mãe é 'alcomtrário'...O meu pai fica todo vestido e a minha mãe toda pelada".

Crianças não são bobas. Vão crescendo e vão enxergando...
Sim, eles recebem pensão alimentícia (pensão essa que eu tive que brigar na justiça para conseguir). Não é uma pensão miserável, é razoável, embora o Leão morda R$500,00 dela por mês. Só que são 30% do salário dele, nem um centavo a mais e 98% do meu salário com as crianças, às vezes 100%, como comentei em postagem anterior. Eu não tenho notebook, tablet, smarthphone, iphone, whatsapp, nem sei o que são essas coisas. E eles não tem o Xbox que todos os amiguinhos deles tem.
Mas somos felizes assim mesmo.
Eu não sou a única mãe nesse mundo que se vira sozinha com os filhos. Aliás, eu não me viro sozinha, eu tenho e tive boas babás, eu tenho meu pai.
Hoje eu não me culpo, eu faço o que posso, mas ainda fico revoltada. Se tivesse uma participação do pai, eles seriam mais felizes, eles aproveitariam mais do que a vida pode lhes oferecer, do que os pais podem lhes oferecer, praticariam mais esportes, quem sabe fariam mais cursos, como de idiomas, sentiriam mais a presença paterna em suas vidas. Porque levar aos finais de semana e ficar dando ordens e broncas não educa ninguém.

Como diz a música: "Somos o que há de melhor / Somos o que dá pra fazer" (3X4- Engenheiros do Hawaii)


quarta-feira, 11 de junho de 2014

DISPUTA DE EGOS- sobra pra quem?

Já contei um pouco da minha história aqui, sobre minha religião, minha família...
E acho que vai para 6 anos que me divorciei... Queria falar um pouco como vai a vida desde então.

O casamento tá uma merda, o casal tá quase se matando, então você conclui que a separação é a melhor saída, já que juntos há brigas. Mas tem em mente que, já que supostamente não houve traições, dá pra manter uma relação cordial. Pois se há filhos, há sim uma eterna relação... infelizmente.

Comigo foi assim, foi assim que eu pensei. Até descobrir o caráter da pessoa por quem você se apaixonou, se casou, quis ter filhos. Você imagina que os filhos continuarão sendo filhos. Então descobre que não é bem assim. E que, se você fica com a guarda dos filhos, a lei não está a seu lado. Não está.

Alguns meses sem receber a pensão das crianças me fizeram voltar para a casa dos pais de mala, cuia, filhos e dívidas... Ainda assim, não quis denegrir a imagem do pai para as crianças e, apesar de constantes discussões sobre pensão, eu permiti as visitações normalmente. Até receber no meu local de trabalho uma intimação afirmando que eu impedia o pai de ver os filhos. Diante da minha choradeira, o oficial de justiça comovido foi me visitar em casa. E pode constatar que as crianças não estavam lá. Estavam com o pai...
O bom é que o juiz não deu nem trela para este fato e, diante dele, eu afirmei e o pai deles não negou que ele tinha livres visitações. Então dei entrada no pedido de pensão para os três filhos. E consegui os 33%, valor máximo que a lei oferece, apesar de que o pai deles achando muito entrou pedindo parte do valor depositado nas férias, alegando que fica com os filhos e fingindo esquecer que escola, perua escolar, babá e etc também são pagas nas férias, mas enfim, concordei para não correr o risco de o juiz me achar fominha e resolver baixar esses 33%.

33%. É isso que sobra para os filhos. Quando você está casada, 100% do seu salário + 100% do salário do marido são para as despesas da família. Você separa, fica com a guarda e então são 100% do seu salário + 33% do salário do ex marido para as despesas da família. A lei entende que no caso o ex marido tem direito a compor um novo lar, formar uma nova família. A mulher não. E se o homem for autônomo, desempregado, vive de bico, trambiqueiro, não importa, não é problema dele. E ponto. A lei também não obriga que ele seja presente e participe como um pai deve participar. Eu tenho a sorte de ter um pai, um pai maravilhoso e um avô mais maravilhoso ainda. Que conversa, escuta, estuda junto, educa, aconselha, zela. O dia que ele se for, estamos todos órfãos... literalmente.

E as piadinhas de batalhão? "O dinheiro que o governo não me toma, a ex mulher leva tudo, hahahaha"
Piadinhas que ele faz para policiais que me encontram no meu trabalho e me contam. Ainda bem que eles vêem o quanto eu trabalho e sabem que o único homem que me sustentou nessa vida foi meu pai!!!

No começo eu ainda dava satisfações, o que as crianças andavam aprontando, falava sobre suas notas, mandava boletins, contava suas malcriações. Mas era como falar ao vento. Também falava sobre despesas, pedia ajuda sobre algumas coisas que eu não podia prover, ou pedia pra levar a um médico, um pronto socorro. Ouvi mais 'nãos' do que 'sims'. Mesmo quando arrumei mais um emprego, mesmo trabalhando mais de 60h/semana... aliás, foi nessa época em que só ouvi 'nãos'! Ouvi tantos 'SE VIRA', 'NÃO DÁ CONTA? DÁ A GUARDA PRA MIM', esse 'dá a guarda pra mim', leia-se: 'dá a guarda pra mim que a minha mãe, a avó deles é quem vai cuidar (hoje seria a atual mulher dele), pois ele mesmo sabe que não tem capacidade pra isso. Porque se fosse pra ele cuidar, eu até dava a guarda, pra ver a merda que ia dar! Mentira, não dava não, eu não ia suportar meus filhos sendo mal cuidados, rsrs.

Minha tia Nini certa vez disse: "Mantenha boas relações com a ex sogra, pois o homem quando separa deixa de amar os filhos, pior se arruma outros filhos com outra, então só a ex sogra vai te ajudar quando você precisar". E tenho seguido o seu conselho, embora nem quando as crianças não recebiam pensão a avó ofereceu alguma ajuda. Se fez de cega, surda e muda.

E seguiu assim, nos finais de semana e feriados, as crianças eram levadas para a casa da avó onde, segundo as mesmas, o pai dormia e a avó cuidava. E quando meu pai e minha mãe estiveram internados, a avó cuidou.

Lições de casa, estudar para provas e trabalhos escolares, condução para escola, para a academia, para médicos? Sempre foi comigo, com babá, com meu pai e minha irmã. Eu sei as matérias que eles gostam, as que eles detestam, as dificuldades, as notas, os amigos mais chegados, os colegas que eles não gostam. Não sei por que o pai teima em ir a todas as reuniões de escola se não acompanha nada disso... Eu sei sim. Faz uma média com as professoras, assina a lista de presença, assim, caso eu entre com algum processo, ele tem uma prova material de que é um pai presente. Bobo, não? Claro que não.
E foram assim todos esses anos, segui cumprindo a minha obrigação: não falando mal do pai deles na presença deles (senão é alienação parental (ainda tem essa!)), convidando ele e a família dele para eventos escolares e de academia. E ele incapaz de me dar um 'bom dia', boa tarde', para deixar os filhos contentes. Eu não faço questão que ele me cumprimente, não é ele que vai fazer do meu dia bom ou ruim, é pelas crianças!

Então surge uma nova namorada, que se torna uma nova esposa. 
Eu sempre joguei limpo com as crianças: sempre disse que não pretendo me casar de novo, que isso é uma escolha minha, que pode ser que um dia aconteça, mas que isso não faz parte dos meus planos. Apresentei namorados, ficantes, peguetes. Nas raras vezes em que tenho vida social, conto onde vou, se vou beijar, se é passeio só com amigas, se vou dormir fora. Conto pra eles o que eu espero que eles me contem quando for a vez deles. Claro que detalhes muito íntimos eu omito, embora já tenha explicado para os maiores o que é sexo.

Mas quando surgiu a namorada do pai, que ele sempre apresentava como amiga, deixando as crianças confusas e cheias de dúvidas, eu expliquei que o pai deles estava namorando. Simples assim.

Essa namorada ganhou o meu respeito e consideração por tratar bem meus filhos. Eu sempre os orientei a obedecê-la, a serem educados com ela e com os filhos dela. Mas crianças tem ciúmes! E o pai deles deveria usar um pouco de sensibilidade ao invés de querer enfiar goela abaixo das crianças uma "segunda mãe" como ele fala e "irmãos".  Não, não, não! Pára tudo! Não tem nada de segunda mãe e novos irmãos por enquanto! Essas coisas vem com o tempo, com a convivência, com o respeito, não obrigando!!!

Mas o meu respeito e consideração por essa cidadã acabaram logo. Acontece que a relação das crianças com o pai já é delicada: conflito de gerações, de idéias, de gostos, inflexibilidade, pouco diálogo... O pai deles é militar, preciso dizer mais?
Preciso sim: tudo as crianças perguntam pra mim, os maiores já querem saber sobre sexo, namoro, gravidez, menstruação e diversas coisas e acaba que eles só tem a mim como referência. O vovô, embora eles o idolatrem, está muito velhinho!

E eu fico muito feliz  na Associação Cristã de Moços- ACM, academia que frequentamos (mesmo não sendo cristãos) que meus filhos tenham professores do sexo masculino. Esses professores desconhecem o papel que eles desempenham na vida de meus filhos! Eles são referência de homens que trabalham, de mestres, de pessoas de caráter íntegro, eles ensinam, conversam com meus filhos, escutam as crianças, ensinam sobre atividades físicas, sobre a importância do cuidado com o corpo e com a saúde, do trabalho em equipe, do respeito às diferenças, da superação de dificuldades, lhes dão também carinho e tantas outras coisas que acabam preenchendo lacunas, acabam se tornando referência masculina para minhas crianças e eu olho de longe esse contato e sou muito grata! Não que as professoras não desempenhem um papel importante na vida deles, mas eu já sou uma boa referência feminina que as professoras acabam complementando.

Voltando ao fim da consideração pela madrasta das crianças, esse fim se deu quando, além de invadir um espaço muito meu, ela começou a provocar intrigas entre o pai e meu filho. Esse último eu não tolero, não aceito, não engulo! Um milhão de padarias no mundo, eles vêm de outra cidade, só na minha rua há 3 padarias, mas eles tem que ir naquela que eu vou desde que nasci. Vêm na minha casa buscar as crianças ela tem que vir, descer do carro, daqui a pouco vai querer entrar e tomar um café!
Há quem diga que isso é ciúme, nem ligo, tenho amigas separadas que me entendem, uma delas é minha irmã: minha irmã foi segunda esposa e o marido tinha uma filha com a ex. Ela tinha que levá-lo a casa da ex, pois ele é deficiente visual, ela parava o carro em outro quarteirão, ele descia e ia buscar a filha. Minha irmã respeitava o espaço, o território da outra! Se eu sou obrigada a dividir meus filhos com outra mulher, eu quero que ao menos o meu quadradinho, o meu pedacinho de terra seja devidamente respeitado! A calçada é pública? Foda-se, aqui a calçada é minha!

Então começaram as intrigas. Quando eram só comigo, eu ia levando, engolindo a maioria, dando uns chega pra lá, de vez em quando. Mas daí a intriga foi com a mãe dele: proibiu a avó de ver os netos! E os netos amam a avó!!! E não podiam vê-la!!! Tive que intervir, muito pelos meus filhos, um pouco pela avó também, não desgosto dela, até gosto um pouco, mas independente disso, os netos a amam, eles tem direito a vê-la e vice e versa! O que esperar de um cara que faz uma maldade dessas com a própria mãe e com os próprios filhos? Tive que intervir. Que mandar as crianças para a casa da avó à revelia dele. Ele me xingou muito e várias vezes por isso por telefone, é claro, porque pessoalmente ele se caga! E as crianças nesse meio chateadas por estarem impedidas de verem a avó!

Depois as intrigas começaram a sobrar para o meu mais velho: castigos físicos(*) e xingamentos em público (em público sim, a outra família dele são os outros sim, por enquanto!). E algumas dessas intrigas instigadas pela madrasta. Que além de tudo começou a mandar recados pra mim pela minha filha de 9 anos!!! E a fuçar meu facebook! (Tive que bloquear pra poder dividir o que eu penso com quem eu quero!).
Gente muito covarde essa! Um me xinga de tudo o que é nome, xinga até meus ancestrais pelo telefone, pelo telefone, porque é fácil ser 'capitão tudão' pelo telefone, só que quando eu dou meus gritos sai correndo, vira uma moça, e a outra muito machona também, manda recados pra mim por uma menininha de 9 anos, minha filha, uma criança, porque vir aqui, tocar a minha campainha e me falar pessoalmente também não tem coragem! As crianças me contam que quando vão ao terreiro a mãe de santo deles insinua que o pai deles ainda gosta de mim, o que provoca brigas entre o casal. Aliás, as crianças me contam tudo o que acontece no terreiro, eles detestam ser obrigados a ir lá! E que porra tenho eu a ver com as merdas que fala a mãe de santo! Mas nem tantas merdas, afinal ela já o colocou de joelhos e berrou na frente das crianças o fracasso de ser humano e de pai que ele é. Pena que entra por um ouvido e sai por outro!

Não se pode ser contraditório com crianças, dizer: "aqui é a sua segunda casa" e na sequencia dar bronca na criança que atendeu o telefone dessa segunda casa dizendo que não se pode atender telefone na casa dos outros! Isso é ridículo, contraditório, revoltante! Crianças não são burras! Elas não vestem farda e saem por aí batendo continência e cumprindo ordens! Eles pensam, sentem e questionam!

Resolvi não mandar mais malas de roupas. Algumas amigas aconselharam a fazer isso, outras desaconselharam. O que acontece é que em todos esses anos roupas vem sujas, manchadas, estragadas, comidas por cadela alheia e com o recado pra eu não encher o saco!!! E não são repostas, quem tem que repor sou eu! E os meus 100% com os 33% deles não tá dando! Fora os comentários vindos de lá do tipo: "me dá um desgosto quando eu abro a mala de vocês!" Comentários estes que chegam em mim! Desgosto por quê? Alguém me explica? Em alguma foto ou pessoalmente alguém viu meus filhos mal vestidos? Eu ando mal vestida, não faço unhas, não pinto meus cabelos, mas meus filhos vão muito bem obrigada! E já que além de não estarem satisfeitos, estão mandando coisas estragadas e roupa limpa misturada com roupa suja, tudo embolado, sem considerar gastos de água de de luz, já que meus filhos tem 2, 3 lares, que nesses lares eles tenham também as suas roupas, seus armários, pois até travesseiros eu tinha que mandar!

CHEGAAAAAAA!!! É o meu desabafo! Já que vomitar tudo isso nas orelhinhas das crianças vai machucá-los e falar tudo isso para os de lá não adianta nada, eu escrevo aqui, porque entre outras coisas isso aqui funciona como um diário meu, também é um aviso pra mulheres que estejam se separando, para elas se prepararem para o que pode vir, e para que quando meus filhos forem grandes, eles saibam o meu lado da história, embora eles não sejam cegos, nem surdos, nem burros e já tirem suas conclusões do que eles têm observado.
Tenho familiares, amigos e babás que podem comprovar que tudo o que escrevi é verdade.
A pedido do meu mais velho já quase entrei com pedido de visitações supervisionadas, mas diante das dúvidas dele mesmo, tenho esperado que as coisas se resolvam de uma forma melhor pras crianças.
Mas eu vou criando meus filhos bem criados, mesmo com críticas de lá, mesmo sem ajuda de lá. Eu sei disso, não sei se eles sabem. Acho que sabem... E espero que eles não tenham problemas psicológicos por conta de tudo isso, porque eu ponho a minha mão na consciência, sou até crítica demais comigo mesma e procuro ser uma ótima mãe!

(*)Não tenho nada contra palmadas e chineladas, desde que sejam dadas por que cuida, quem dá banho, quem leva ao médico, quem trata dores, angústias, medos, quem faz condução escolar e demais conduções, quem estuda junto, participa de trabalhos escolares, e todos os eventos, aconselha, escuta, enfim, quem cria e está sempre lá, cumprindo o seu papel. Se não faz nada disso, não tem o direito de querer educar, ainda mais com castigos físicos, muito menos na frente de quem NÃO É DA FAMÍLIA DELES! É o que penso.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

SEPARAÇÃO




Ahhhhh, não sei se é um tema que eu sou a melhor pessoa pra conversar!
Quando criei este blog, fiz um breve resumo de minha vida, citei a separação, mas a intenção era discorrer sobre espiritualidade e auto-cura. Mas pessoas amigas que têm passado pelo difícil momento da separação, ao lerem trechos do blog, ao verem minhas fotos tão alegre, sorridente e maquiada, sabendo que eu também passei por isso buscam ajuda, consolo, conselhos, querem saber se a dor passa, se os filhos superam...
E resolvi falar um pouco disso, mas da minha experiência. E cada um é um...
Estava formada, concluindo a pós graduação, em dois empregos. Eu o vi, me apaixonei, casei. Eu o amei...
Não posso falar por ele, mas acredito que ele se apaixonou, mas não me amou. E paixão acaba. Imagino que foi o que aconteceu. 


Quem conhece a minha história e gosta de mim vai dizer que fui a vítima da história, que sofri assédio, fui agredida, desmoralizada, sofri calote, que tive parte da família dele contra mim, além das mães de santo dele. É verdade. Mas eu fui uma grande duma chantagista, criei atritos que poderia ter evitado, cobrei demais e tb o agredi de várias formas, além de me auto-flagelar. Então empatamos.


Demorou um pouco pra reconhecer isso. Quando o mandei embora, no dia seguinte acordei e, sem abrir os olhos senti que havia levado uma surra, que havia arrancado um pedaço de mim. Fiquei só com meus 3 filhos pequenos, na época o caçula tinha 4 meses, a do meio 3 e o mais velho 5. Fraquejei, teve momentos em que pensei em entregar a guarda deles para a avó paterna e dar cabo de minha vida, pois o que eu faria? Mas por mais que minha moral e minha auto-estima estivessem lá embaixo pensei: "Quem vai amar Mel e Nico como eu?" O Dudu é o que se dá melhor com o pai, é o predileto das duas avós. Mas a Mel tem um gênio difícil, não raro eu perco a paciência com ela, mas dentre os adultos da família, eu sou a ÚNICA que a pega no colo, beija sua boquinha e suas bochechas e ela diz: "Te amo!" É carinhosa comigo, e com os irmãos, com as outras pessoas... ela convive de forma amigável (nem sempre) e impessoal. E embora ela me tire do sério, eu compreendo e aceito o jeito dela ser. E o Nico, 'meudeusu', o Nico??? Meu dedinho mindinho!!! Então, embora o Dudu seja meu amado, meu amigo, meu companheiro, lhe sobraria amor, mas não pros outros dois. Então foi vindo ajuda de cá e de lá, como já falei em postagens anteriores e diante dos problemas, quando meus filhos arregalavam os olhinhos para mim eu respondia e ainda respondo: "Mamãe vai dar um jeito." E isso os tranquiliza.


Quando se sai ferido de um relacionamento é difícil encarar as próprias falhas, mas ao longo desses dois anos e meio eu fui saindo da posição de vítima e fui enxergando minhas cagadas.
Escutando o programa da psicóloga Cristina Cairo na rádio mundial, comecei a levar tapas na cara dela, pois ela me abriu muito os olhos, depois vieram seus livros e alguns mestres que encontrei pelo percurso, comecei a praticar meditação, me dedicar à wicca, reler a biografia de Gandhi, estudar pensamentos budistas e fui caindo na real e entendendo que TUDO É COMO DEVE SER. É difícil assimilar isso. Não vem de uma hora para outra. É preciso muita reflexão.
SEMELHANTE ATRAI SEMELHANTE. Eu e o pai das crianças nos conhecemos aos vinte e poucos anos, estávamos formados, trabalhando, independentes financeiramente de pai e mãe (ele nem tanto), eu queria casar e ter filhos, os amigos dele mais próximos estavam todos casando. Éramos sexualmente bonitos e atraentes, foi toda uma situação, ou um conjunto de semelhanças que nos atraiu. Casamos, erramos separamos, mas além dos lindos filhos que tivemos tudo o que aconteceu serviu pra me amadurecer, pra me fortalecer como pessoa, como mãe, como mulher. Evoluir. Espero que o mesmo tenha acontecido com ele. 
Uma vez disse a um amigo recém separado: "É como num trem. Há pessoas que sentarão ao nosso lado, mas descerão em algum ponto. Irão embora. Há pessoas que irão até o ponto final conosco. É assim. Tem pessoas que estão só de passagem em nossas vidas."

E ele me perguntou: "E como saber que estão só de passagem?" Respondi que não tem como. Hoje eu responderia que na minha concepção TODOS estão de passagem. Pai, filhos, amigos, irmãos, cônjuges... Porque no final das contas, morremos sozinhos. Quando muito com algum colega de viajem segurando nossas mãos. Quando muito...
Com essas palavras não quero desanimar ninguém que sonhe com um amor de verdade, duradouro. Eu, embora não queira nunca mais me casar, sonho com um companheiro amado e fiel, que me ame também. Mas ele na casa dele, eu na minha. Conheço poucas, mas lindas histórias de amor, então, ainda sou um pouco romântica. Tampouco quero desanimar ninguém de tentar reatar uma relação. TUDO É POSSÍVEL.
Se perdoei o pai das crianças? Sim, do fundo do meu coração e espero que um dia ele me perdoe também. Mas o perdoei em relação a nós. Ainda não perdoei fatos em relação às crianças. Mas no final das contas estou quase acreditando que ele não fez (e ainda faz) por mal, acho que quando ele erra talvez nem perceba, ou talvez ele pense que esteja agindo da forma certa com eles. Ele é pai. Eu também cometo meus erros com meus filhos tentando acertar... Mas pelo menos eu o incluo na vida das crianças quase que como uma guarda compartilhada... Bom, mas deixando os filhos um pouquinho de lado, estava falando sobre sentimentos. 
Se ainda amo o pai de meus filhos? AMO FRATERNALMENTE. Para mim o fato de as crianças serem NOSSA carne, NOSSO sangue, NOSSOS genes nos torna parentes. E ponto. É como eu sinto. 
O que ele sente por mim? NÃO ME IMPORTA!


O que causa sofrimento são as EXPECTATIVAS que construímos em cima da relação, e a vontade de querer que o outro MUDE a todo o custo para se adequar aquele a quem NÓS IDEALIZAMOS. E ninguém muda porque a gente quer. A pessoa muda SE ELA QUISER, senão não muda. E ficar insistindo nisso é AGRESSÃO. Eu não me adequei aos sonhos do pai de meus filhos nem ele aos meus. Nos ferimos, nos agredimos.


Depois entrei numa relação complicada com um sujeito que aparentemente não tinha nada a ver comigo: tinha um terço dos meus estudos, ganhava metade da metade do meu salário, não tinha a mesma educação que eu, nem os mesmos valores e o pior, era aparentemente envolvido com pessoas não muito corretas...


Ah Grega, mas você falou que SEMELHANTE ATRAI SEMELHANTE! Cadê a semelhança aí?


Bom, nos conhecemos numa festa de casamento (ele trabalhava na festa). E pra quem é separado, casamentos não são ambientes muito agradáveis, trazem lembranças meio dolorosas... Ambos éramos separados. Ambos queríamos loucas aventuras e muito, mas muuuuuuiiiiitttto SEXO. 

Sim, SEMELHANTE ATRAI SEMELHANTE. Rola química, é natural. Foi uma relação meio tumultuada que acabou.

Perguntaram me se a dor da separação passa e quanto tempo leva pra passar.
Dói. Ah, como dói!
Mas vou dar umas dicas que serviram para mim. PARA MIM. Espero que possam servir para quem está passando por isso:
Depois de 3 filhos seguidos fiquei muito gorda. Emagreci foi de tristeza mesmo. Mas foi bom.
Comprei roupas, sapatos e lingeries novas, que as minhas estavam em petição de miséria. Ah, bijuterias e maquiagens também.
Não deixei o pai das crianças me ver chorando. Eles não precisam saber disso. Quer chorar, CHORE! Mas ele (a) não precisa saber. Aliás, um sábio amigo me dizia pra chorar debaixo do chuveiro. Funciona, viu? Tem horas que só a preguiça de ir até o banheiro, tirar a roupa já tiram a vontade de chorar.

(No dia de assinar os papéis da separação enquanto ele estava com olheiras, notavelmente nervoso, com uma advogadazinha mal arrumada e mal humorada, além de despreparada, tadinha, eu estava de salto, pós salão de beleza, simpática e sorridente, com um ótimo advogado e de ótima aparência que era meu primo).
Pelo menos a cada quinze dias vou ao salão de beleza fazer cabelos, unhas e massagem. No resto do mês eu mesma faço em casa.
Fui fazer dança do ventre. Sonho antigo. Tive que largar (temporariamente) por questões financeiras, mas faço caminhadas todos os dias.
Troquei o café pelo descafeínado, e agora como pão, macarrão e arroz integrais, além de verduras e frutas. E estou com dificuldade tentando parar de fumar.
Mas resumindo, comecei a cuidar de mim, me amar, pois durante 7 anos fui um rascunho de mim mesma e uma sombra do ex marido. E ninguém vai amar quem não tem amor próprio.
Saí com amigas pra desabafar. Se vc não é de muitos amigos, busque apoio da família, meus filhos, mesmo que pequenos me deram muita força, além de meus pais, claro! Se não for o suficiente, busque um psicólogo. As pessoas não dão valor a esses profissionais, mas eles são ótimos e necessários.
E também guarde momentos de solidão, para meditar, ou refletir, ou ouvir suas músicas prediletas.
Sorria para as pessoas na rua e cumprimente-as, elas retribuirão com simpatia, haverá uma boa troca. E, se alguém não retribuir, deseje que o seu dia seja bom assim mesmo.
Há algumas dicas que aprendi com especialistas em medicina oriental como incluir na dieta pão de centeio, feijão e leite, pisar na terra descalço, sentar com postura ereta e sem inclinar a cabeça olhar para cima por alguns minutos, passar alguns minutos em ambientes em que haja a cor amarela, podem ser árvores, jardins, ou um local de parede amarela, abraçar uma criança com menos de dois anos frequentemente, acariciar com frequencia um animal de estimação... Parece tudo besteira, mas são dicas de profissionais e coisas que vem de uma ciência milenar, muito mais antiga que a nossa medicina ocidental.
E o principal: livre-se da CULPA. Todos nós erramos, às vezes por querer e nos arrependemos, às vezes sem querer, peça perdão, mesmo que apenas em orações e pensamentos e LIVRE-SE DA CULPA.

Como eu estou hoje?
Mais preocupada com questões financeiras e criação dos filhos do que com relacionamentos. Quando posso encontro antigos amigos, até ex namorados, tenho conhecido pessoas interessantes, mas estou sem pressa e tranquila em relação a isso. Não estou carente. Quero amigos e um amor por perto, mas a minha companhia me satisfaz. Estar só não me incomoda ou entristece, pelo contrário. Eu me amo, me adoro!

Espero de todo o coração que quem está sofrendo hoje se recupere rapidamente, se ame, se cuide, sorria, ria mesmo estando triste, assista comédias. Vai ficar tudo bem.
As três mulheres dessa foto (eu sou a do meio) somos separadas, passamos por toda a dor. Parecemos tristes? Não. Estamos muito bem, felizes e vivendo cada dia como deve ser vivido. TUDO É COMO DEVE SER.

sábado, 16 de outubro de 2010

Seguindo em frente...



Então estava eu, pensando que estava só com meus três filhos, tentando sorrir quando meu coração chorava...
Trabalhando, pagando aluguel, escola, empregada, seguranças da rua, mercado, feira, mecânico. Apesar da solidão, sentia que me superava a cada dia!
E a frase que melhor me definia era:


"Se meus olhos mostrassem o fundo de minha alma, todos, ao me verem sorrindo, chorariam comigo". 


-Kurt Cobain





Mas não me faltaram amigos que me estenderam a mão nos momentos mais difíceis, quando o colo e o doce embalo da Deusa não me consolavam:


Marcão, meu amigo Marcão, horas e horas tentando resgatar meu amor próprio e minha auto-estima...


Minha madrinha, que foi minha psicóloga, que me fazia racionalizar um pouco quando eu dramatizava demais.


Meu pai, que sofreu e chorou muito a perda de quem amou como um filho e em cujos ombros eu jorrei minhas lágrimas.


Meus colegas de trabalho, que sempre foram muito amáveis comigo e respeitaram minhas distrações, meus silêncios e lágrimas que eu tentava em vão escondê-las.




Minhas amigas separadas da comunidade do orkut: 

*Quem Odeia Policia é Bandido

Que vinham em casa tomar cerveja, ou saíam comigo para bebermos e falarmos mal de ex maridos...
Deia, Atena e Val...

Conversamos, trocamos experiências, elas ouviram meus desabafos e Val... ah, a Val... a briguenta, a encrenqueira... Que nada! Um doce, uma irmã, uma AMIGA!

Quando estava quase entregando a tutela de meus filhos para a avó paterna, ela veio cuidar deles e me arrumou a babá de confiança que está comigo sendo mãe de meus filhos, enquanto eu tenho sido pai há dois anos já. Não fosse a Val, a quem fiz chorar quando disse que criar só 3 filhos não era a vida que desejei para mim, muito menos para eles, nem sei o que seria de minha vida, se não tivesse até dado fim a mesma! Está distante a Val, mas a considero um espírito que me protege...

Como tudo começou...

Ah... eu estava linda! Algo assim:
Só que o vestido era preto, calda de sereia e eu tinha 7 anos e uns quilos a menos.
Então sentada, conversando com uma amiga eu o vi chegando e ouvi uma voz: "Acabou sua espera...".
Pronto. Simples. Já sabia que iríamos casar e ter 3 filhos. 
Horas antes tia Frida disse ao olhar para mim e suas duas filhas lindas e loiras: "Uma de vocês vai arrumar marido hoje!"
E fui eu!
No dia seguinte, disse a minha mãe, como fiz tantas vezes antes: "Conheci um rapaz, ficamos e hoje ele me levará ao cinema". Ela respondeu o que nunca respondera antes: "Então trata de trazê-lo logo em casa, porque vocês vão casar".
E casamos!
Tivemos Dudu e Mel, mas logo após o nascimento do Dudu a paixão que ele sentia por mim foi minguando e fui enlouquecendo ao tentar me mudar a espera de que ele se modificasse, voltasse a gostar de mim. Perdi completamente a minha identidade. Virei um rascunho imperfeito de mim mesma e uma sombra dele.
E fomos acumulando agressões e mágoas.


Um dia, afundada no sofá, sob efeito de remédios, chorando, a voz voltou e disse: "Páre todos esses remédios e tenha um filho". "Não posso, sou louca, não sirvo pra cuidar dos dois que já fiz!". "Tenha um filho". "Meu casamento acabou, nem sexo fazemos mais. Ele não me ama". "Tenha um filho". "Está bem."
Alguns dias depois o acordei e após cumprir sua obrigação com má vontade e rapidamente, ele virou pro lado e voltou a dormir. E eu virei pro outro lado... grávida!
Teria sido a voz da Deusa que me falou ao coração, ou alucinação auditiva? Não importa. Foi o início da minha conversão ao paganismo.
Tive parada cárdio respiratória durante o parto de Nicolas. Nascemos juntos em 02/08/2008. Ambos pagãos.
E, quando Nico tinha 4 meses, mandei meu amor embora. Nos libertei. Senti que arranquei metade de mim. Bobagem. Mas sofri muito...